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sexta-feira, 18 de março de 2011 06:45

Valente: Ismael Ferreira “abre o jogo” sobre política e crise na APAEB

Chama o prefeito para um desafio. Ele apresenta todas as notas dos R$ 5 milhões recebidos pela APAEB através do Governo e o gestor municipal mostra onde foi parar os R$ 80 milhões recebidos no mesmo período

O diretor executivo da Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira, popularmente conhecida por APAEB, Ismael Ferreira é a “bola da vez” na reportagem do Calila. Ele que vem de duas derrotas nas eleições para prefeito, 2004 e 2008 recebeu a equipe do CN e esclareceu alguns assuntos que vem sendo motivo de criticas, principalmente quando há um desejo de desgaste político daqueles que se consideram contrários ao líder associativista. Sempre de cabeça erguida e confiante na superação, ele deve ser mais uma vez o principal candidato para enfrentar o indicado do prefeito Ubaldino Amaral.

O ponto crucial segundo Ferreira para a Associação entrar em crise foi a fase que o mundo inteiro enfrentou problemas, principalmente países considerados de primeiro mundo e embora muita gente não saiba, o principal mercado é a Europa.Durante 25 anos a APAEB manteve todas suas contas em dia, salários, fornecedores, financiamentos entre outras. Essa situação começou mudar com a desvalorização do dólar, uma vez que mais de 70% do faturamento vinha das exportações. Enquanto em 2002, um dólar valia R$ 3, 59, em 2010 o mesmo dólar chegou a R$ 1,75, reduzindo a receita da fabrica de quase R$ 14 milhões por ano para pouco mais de R$ 8 milhões. Dai a crise com a redução das receitas.

Em 2004, Ismael Ferreira saiu candidato pela primeira vez para prefeito do município, surgindo o “lado político” da APAEB, vindo á público uma série de denúncias, principalmente nos palanques. Uma das questões mais comentadas entre as pessoas que fazem oposição a Ferreira, foi à liberação de R$ 5 milhões pelo Estado para ajudar a reestruturar a entidade afetada pela crise mundial. Segundo Ismael, este recurso foi usado durante quatro anos, começando em 2007, 08, 09 e até 2010. “Apesar de sermos uma entidade “privada”, pois têm seus donos, que são os sócios, nós abrimos nossas contas para que todos vejam as notas fiscais e saibam como foram utilizados estes recursos. Os sócios e diretores sabem com eles foram usados, porém, mesmo não sendo nossa obrigação, abrimos isto para qualquer pessoa vê. Agora, é bom lembrar que neste mesmo período, a Prefeitura recebeu mais de R$ 80 milhões e ninguém comenta nada”, falou.

“Existe aqui em Valente uma forte preocupação de algumas pessoas que se acostumaram a viver do dinheiro público, usar o poder para se servir e não servir ao povo e não sabem fazer outra coisa, por isso inventam todos os tipos de calunia para evitar que pessoas que tenham um projeto diferenciado, que pense no desenvolvimento do município, nas pessoas que mais precisam, venham assumir o poder”, disparou Ferreira.

Disse também que o município de Valente hoje recebe três vezes mais  recursos que a gestão anterior e, segundo ele, a única grande obra é pagar salário em dia, “como se fosse um mérito, um favor. Os governos estadual e federal mandam o recurso, bem diferente de uma empresa, associação ou cooperativa que precisa gerar sua receita e quando fatores externos como esse da desvalorização do dólar acontece, a receita reduz drasticamente”, explicou.

Desafio – O líder associativista lançou um desafio durante a entrevista ao CN. “Nós abrimos as contas da APAEB para que todos saibam o que fizemos com os R$ 5 milhões nos quatro anos, porém, queremos que o prefeito faça o mesmo com os mais de R$ 80 milhões que recebeu no mesmo período. Sugiro que o Calila convide o prefeito para apresentar os documentos dizendo em que foi gasto a uma comissão formada pelo gestor municipal, eu na condição de  diretor executivo da Apaeb e o responsável pelo Calila”.

Pleiteia ser candidato – “É um direito que todo cidadão tem em ser candidato, porém respeitando o direito do outro. Vivemos uma democracia”, afirmou Ismael. Ele disse isto ao avaliar a pesquisa veiculada no CN, cujo resultado ele supera os 40% lhe deixou satisfeito.  Sobre o nome da vereadora Leninha, disse que uma atitude normal de quem busca seu espaço, mas garante que vão está juntos no pleito de 2012. Questionado se poderia ser o nome para vice, ele disse que “talvez” não, pois numa campanha é necessário compor e somar forças.

Ele também falou sobre a situação do PMDB, que em sua opinião, em Valente tem um nome de muita influência, que é o vereador Gabriel Mota e outros membros da família Mota. Quanto a Fábio Mota, disse se relacionar bem, mas tem pouco contato com ele, pois não mora na cidade. “Vem aqui e volta para Salvador. Portanto acredito muito na influência local do vereador e tantos outros da família Mota”, afirmou.

Ismael falou ainda sobre a situação de Marlene Mota, que em 2008 foi sua candidata a vice-prefeita. “Tenho bom relacionamento com ela e com toda família e sobre Isabela, ela é uma excelente profissional e não vejo nada de mais ela trabalhar na Prefeitura. Sou a favor dos filhos de Valente trabalhar aqui, mas o prefeito preferia não fazer isso por perseguição política e até pouco tempo, o prefeito só trazia gente de fora e só trabalhava quem era do lado dele” alfinetou.

Situação do Banco do Nordeste – Mostrando documentos, Ismael disse que a situação do Banco do Nordeste, a quem chamou de parceiro e reconheceu que sem ele seria difícil a fábrica funcionar, é divergência de cálculo, pois a entidade conseguiu pagar em dias as suas obrigações com a instituição financeira até 2009 e o empréstimo foi feito em 1994, com final dos pagamentos em 10 de novembro de 2014. “O valor liberado foi de R$ 7.369.985,00. Já pagamos R$ 11.958.199,69 e o banco diz que falta ainda R$ 8.256.614,30. Ai solicitamos ao banco refazer os cálculos e como não foi feito, recorremos à justiça para que sejam refeitos. Continuamos com bom relacionamento com o BNB, esperando que seja refeito os cálculos e possamos fazer um acordo. Não se pode admitir, tomar pouco mais de 7 milhões, pagar quase 12 milhões e ainda esta devendo mais de oito”.

“Por conta desta crise não é possível continuar pagando como estávamos. É necessário repensar e recalcular o parcelamento e já estamos conversando com o Banco”, disse Ferreira.

Situação da COELBA – O corte da energia da Fábrica de Tapetes da APAEB foi o assunto mais comentado nos últimos dias nas “rodas políticas”. Sobre este assunto, Ferreira disse que também foi entregue a justiça, conseguindo uma liminar e a COELBA cortou de forma irresponsável, pois a APAEB tem um crédito junto a ELETROBRAS e solicitou a compensação junto a Coelba, tendo a justiça dado uma liminar autorizando a compensação, afirmou.

“Os créditos somam R$ 1 milhão e 800 mil e temos ainda um salto de R$ 400 mil para compensar. Portanto não era para ela agir assim de forma arbitrária”, desabafou. A conta mensal da indústria varia em trono de R$ 22 mil mensal.

Com o corte do fortalecimento da energia, a indústria esta funcionando com gerador, que diminuiu a produção e os equipamentos.

APAEB – É uma organização sócio-econômica articulada pela sociedade civil, gestada pelo movimento social da região sisaleira e apoiada por ONG´s nacionais e estrangeiras. Esta experiência obteve êxito na viabilização de micros, pequenos e médios projetos econômicos, deste as pequenas hortas e oficina artesanal de retalhos de tecido até uma micro-usina de beneficiamento do leite caprino e uma fábrica de tapetes e carpetes de sisal, visando à sustentabilidade dinâmica do território através da proposta de convivência com o semi-árido funcionando a mais de 30 anos em Valente, muitos serviços prestados a região do sisal.

A entidade tem reconhecimento internacional, tendo inclusive seu diretor Ismael participado de varias conferencias e trocas de experiências em diversos países. Em 1987 o então presidente da República fez uma visita a Fabrica e conheceu de perto o funcionamento.

Por: Valdemí de Assis



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