Mega evento marcou beatificação de Irmã Dulce – Saiba tudo sobre o “Anjo Bom” da Bahia e veja as fotos

A solidariedade aos carentes e o reconhecimento de um milagre levaram a freira a ser proclamada beata, o que a deixa mais próxima de se tornar santa.

Instalada em uma área de 1.800 metros quadrados, a infraestrutura projetada para o evento contou com amplos serviços que visava à segurança e comodidade dos fiéis a exemplo do policiamento militar que contou com cerca de  700  homens.

A saúde também ganhou uma atenção especial, com a presença, através da Prefeitura de Salvador, de posto médico, além de veículos de urgência e emergência da Samu.

O atendimento teve ainda o reforço do Corpo de Bombeiros e de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem das Obras Sociais Irmã Dulce. Houve vagas para ônibus, estacionamento pago com capacidade para três mil veículos de passeio, sanitários químicos, lanchonetes, entre outras serviços.

Os portões do Parque de Exposições foram abertos para o público às 12h30min e apesar da chuva fina que caiu na capital do Estado pela manhã, milhares de fiéis chegaram cedo e formaram uma imensa fila do lado de fora, aguardando a abertura dos portões. Ás 14 horas foi apresentado uma peça encenada por um grupo de pessoas ligadas às Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), que tiveram a missão de entreter os fiéis até o início da celebração canônica, que teve inicio às 17 horas.

O rito foi conduzido pelo cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, representante do papa Bento XVI. Com a beatificação, a religiosa que dedicou sua vida a ajudar os pobres e excluídos, passando a ser chamada de “Anjo Bom” da Bahia, passou a ser chamada de Bem-Aventurada Dulce dos Pobres.

Um dos momentos mais emocionante foi quando os sinos foram tocados e aconteceu o descerramento da foto oficial da nova beata, a execução do hino de Irmã Dulce e a condução ao palco das relíquias da religiosa. Neste momento o público agitou lenços brancos e cantou em homenagem à freira baiana, que morreu há 19 anos.

casal e filho que alcançaram a graça

Paralelamente, a miraculada Cláudia Cristiane Santos de Araújo, seu marido Francisco Assis de Araújo e o filho Gabriel entraram em procissão para apresentar aos fiéis à relíquia da nova beata. A sobrinha de Irmã Dulce, Maria Rita Pontes, e a voluntária mais antiga das Obras Sociais da freira, Iraci Lordello, também entraram em procissão.
Em 2003, a Santa Sé emitiu validação jurídica do milagre atribuído à freira. Irmã Dulce intercedeu por Cláudia Cristiane Santos de Araújo, a miraculada, nome dado a quem recebe a graça. Claudia se encontrava em trabalho de parto no dia 10 de janeiro de 2001, para dá a luz a seu segundo filho na Maternidade São José, localizada em Itabaiana, Sergipe.

Ela sofreu grave hemorragia após o parto chegando a ser desenganada pelos médicos. Mas com a corrente de orações e a conversa realizada com o padre da paróquia que lhe orientou a pedir a intercessão de Irmã Dulce e sem nenhuma outra intervenção médica, a hemorragia subitamente pára e a paciente se recupera. Sendo um fato inexplicável do ponto de vista médico, e na madrugada do dia 12, ele pede para ver o filho.

A celebração encerrou ás 18h30min. O Rito de Beatificação foi à última etapa do processo que foi divido em dez fases, dentre elas o Ato Penitencial, o pedido de inscrição da Serva de Deus Irmã Dulce no livro dos Bem Aventurados, a leitura da Carta Apostólica, a apresentação da imagem oficial da beata, além de queima de fogos e oferta de flores.

Continuando o processo, em 2009, o papa Bento XVI concedeu o título de venerável à freira baiana – reconhecimento de que viveu de forma heroica as virtudes da fé cristã, caridade e esperança. O feito foi investigado por peritos médicos e teólogos.

No ano passado, a Congregação para a Causa dos Santos certificou a autenticidade do milagre atribuído à irmã Dulce – última etapa para a beatificação. E em 10 dezembro de 2010, o papa promulgou o decreto de beatificação. Após o decreto, deu-se início o processo para a santificação. Para ser considerada santa, o Vaticano precisa reconhecer mais uma graça por intercessão da religiosa que tenha ocorrido a partir de 11 de dezembro de 2010.

Como aconteceu o evento – A encenação de uma peça que relatava a vida de Irmã Dulce e suas realizações, tendo a participação do padre Antônio Maria e mais de 600 crianças e adolescentes com idades entre 6 e 15 anos do Centro Educacional Santo Antônio (Cesa) – complexo de educação das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), abriu oficialmente o evento.

Ao final da apresentação, o padre Zé Maria contou ter recebido, hoje, um e-mail do cantor Roberto Carlos que dizia: “Sinto-me muito unido a todos nesta festa especial. Quando você cantar esta música, estarei cantando também”, disse, referindo-se à canção “Nossa Senhora”. O relato provocou gritos de emoção na plateia. Ao som da canção “Alecrim Dourado”, os jovens e o religioso se retiraram para a entrada da procissão de franciscanos com a imagem de Santo Antônio, cujo santo a freira era devota.

Após a peça teatral, entraram em procissão no Parque de Exposição às imagens de Nossa Senhora da Conceição, Santo Antônio e Senhor do Bonfim. A procissão contou com 600 padres, diáconos permanentes e bispos.
Em seguida, dirigiram-se ao altar Dom Lourenço Baldisseri, Núncio Apostólico do Brasil; Dom Geraldo Majella, representante do Vaticano na cerimônia; além do Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger.

O bispo da diocese de Irecê (BA), Dom Tommaso Cascianelli, leu uma resumida biografia da Bem-Aventurada e, Dom Geraldo, a Carta Apostólica (carta na qual o Papa autoriza a beatificação), primeiro em latim e depois em português. No documento, Bento XVI afirmou que “tendo consultado a Congregação das Causas dos Santos, por nossa autoridade apostólica, damos a faculdade para que a Venerável Serva de Deus Dulce Lopes Pontes (…) seja chamada de hoje em diante com o nome de Bem-Aventurada, com sua festa fixada no dia 13 de agosto”. O rito de beatificação terminou com o agradecimento de Dom Murilo ao representante do Papa.

Homília – Dom Geraldo enfatizou que viver a santidade não é privilégio para algumas pessoas, mas é dever de todo cristão batizado. “Eu não disse alguns, disse todos os cristãos. Estamos celebrando a santidade que o Senhor deseja ver reproduzido em cada um de Seus filhos. Todos os fiéis devem ser santos em sua conduta moral, devem agir em conformidade com que o são: filhos de Deus” ressaltou. VEJA MAIS FOTOS

O prelado também desejou que a beatificação de Irmã Dulce seja um momento de reflexão para que, entregando-se e confiando no Senhor, os cristãos possam viver o amor e a caridade. “Agradecemos de coração comovido ao Santo Padre por ter levado as honras dos altares essa nossa irmãzinha. Que possamos realmente também viver a santidade em nossa vida.

A celebração finalizou com forte chuva e queima de fogos.

Valdemí de Assis /fotos: Raimundo Mascarenhas

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  1. Léo Costa: 
    Conceição do Coité - 23 de maio de 2011
    Grande Irmã Dulce, já fez muito pelas pessoas carentes,
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