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domingo, 10 de julho de 2011 15:16

Cipó – Aquelas poucas e boas dos políticos na visita do governador. Clique e conheça também a história da cidade do município

No palanque, Marcelo Nilo confidenciou com seu colega de viagem, deputado federal Rui Costa, que queria ser seu vice na chapa para governador.

Imagine, em pleno sertão baiano, em uma região agreste, porém bela, onde predomina a falda d´água, encontrar cidades como Cipó, estância hidromineral, com águas medicinais a 35°, que mais parece oásis. Esta cidade assemelha-se a bonitos jardins que emergem em plena caatinga, como uma dádiva para aqueles que procuram se refugiar em locais agradáveis, próprios para o turismo.

Hotel que hospedou o presidente Getúlio Vargas

Situada à margem direita do rio Itapicuru, Cipó fica a 143 km de Conceição do Coité (Sede da Agência Calila, responsável pelo site calilanoticias.com), no nordeste baiano, e ainda guarda resquícios de tempos áureos, da década de 50, época dos cassinos que impulsionaram por algum tempo o turismo na região. A importância dessa estância no cenário nacional pode ser avaliada com a inauguração do Grande Hotel Caldas de Cipó. Empreendimento grandioso que até hoje chama a atenção pela imponência de sua arquitetura, o hotel levou oito anos para ser totalmente construído e foi inaugurado em 24 de junho de 1952, pelo então presidente da Republica Getúlio Vargas.

A equipe do CN passou toda manhã de sábado (09) na cidade, que completou 80 anos de emancipação. Além do governador Jaques Wagner (PT), a cidade recebeu político de todo estado e verificamos algumas, daquelas poucas e boas, que merecem ser contadas, para você ficar sabendo:

Deputado Aderbal Caldas é igual ao América do Rio – O parlamentar disse no inicio do pronunciamento que em Cipó que é igual ao América do Rio, pois se dar bem com todos os líderes políticos do município e ninguém fala mal dele.

O vice-prefeito Gabriel José de Santana, do PT, apoiou a deputada Fátima Nunes, mas estar satisfeito com as ações parlamentares de Caldas. O ex-prefeito João Ferreira da Silva, “João da Pimenta”, garantiu que enquanto Aderbal estiver na vida pública, vai continuar votando, conforme vem fazendo desde 2002, quando foi candidato pela primeira vez e seu exemplo vem sendo seguindo pelo filho Domingos Ferreira da Silva (PT), “Dido da Pimenta”, o segundo vereador mais votado em 2008, como 494 votos. A base principal dos “Pimentas” é a região do Curral Novo, onde o veterano político disparou em votos na eleição do ano passado.

Deputado Aderbal Caldas quer mais II – Majoritário na região, o deputado progressista Aderbal Caldas, vice-presidente da Assembleia Legislativa, agradeceu ao governador Jaques Wagner a nova Praça 13 de Maio, que consta de uma quadra poliesportiva, parque infantil, quiosque, jardim e rampas de acesso e para isso foram investidos R$ 745 mil. Agradeceu também o Centro de Referência de Assistência Social para o Idoso (Cras) e a unidade do Programa Saúde da Família (PSF) que foram inauguradas na manhã de sábado (09). “Este povo merece mais, pois é uma gente fiel e queremos a reforma da estrada que liga Tobias Barreto, na divisa com Sergipe á Olindina, passando por Itapicuru e estamos lutando pela construção da BA 084, ligando Nova Soure a Serrinha”, externou o parlamentar.

Certo que seus pedidos serão atendidos, Caldas disse durante seu pronunciamento que Wagner é o governador mais democrático da história da Bahia e que convence a todos pela força do argumento e certamente argumento não irá faltar, também por parte do deputado, para convencer o governador a realizar estas obras, pois do jeito que estar, vem causando prejuízos e facilitando as ações dos criminosos.

A preparação de Ubaldino– O deputado Carlos Ubaldino (PSC), que também é pastor da Igreja Assembleia de Deus, mostra nos palanques políticos aquilo que aprendeu nas pregações das Igrejas. Na campanha eleitoral, chegava a comparar o governador Jaques Wagner á “Deus”, quando estava predestinado a salvar o povo. Em Cipó, ele afirmou que Wagner veio para salvar e acabou com cativeiro que os baianos viviam. “Pelos menos o CN não ouviu ninguém dizer a “amém”, “aleluia” ou “glória Wagner”.

Cipó é região pobre – O deputado Joseildo Ramos (PT), disse que Cipó é uma das áreas mais pobres da Bahia, porém é possível fazer um trabalho e modificar esta realidade, pois moram no munícipio pessoas realmente trabalhadoras.

Wagner queimou a língua ou pelo menos quem não tem paciência, come cru – Ao ser anunciado para usar da palavra, o governador ficou em silencio por “dois segundo” e começou lamentando que não houvesse programado a tradicional “girandola de fogos”, que antecipava seu discurso. Só foi começar a falar do assunto, o fogueteiro “tacou tição” e subiu aos céus mais de mil bombas que estouram por cinco minutos anunciando que o governador ia falar.

Depois do espetáculo e os aplausos do povo, o governador se redimiu e disse que “queimaram a língua dele” e a quantidade de fogos foi bem maior do que tocaram para o prefeito.

Só Fátima Nunes descerrou as placas de inaugurações – No ato em Cipó, o CN viu os deputados federais, Ruy Costa e Josias Gomes. Estaduais, estiveram lá, Marcelo Nilo, presidente da Assembleia, Joseildo Ramos, Aderbal Caldas, Carlos Ubaldino e Fátima Nunes, porém, todos eles, com exerçam de Fátima, foram diretos para o palanque, enquanto a deputada “colou” no governador, descerrando as três placas de inaugurações, ou seja, da Praça, do CRAS e da Unidade Saúde da Família, além de pousar para fotos com populares. Ela foi a mais votada na eleição de 2010 em Cipó.

Marcelo Nilo quer candidato a vice-governador na chapa de Rui Costa – O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo está de olho na sucessão do governador Jaques Wagner. Chegou a Cipó acompanhado do chefe do executivo e foi o segundo a descer da aeronave, aproveitando aquele momento de abraços e de aplausos á Wagner e, diga-se de passagem, tinha muita gente aguardando o governador.

No palanque, Marcelo Nilo confidenciou com seu colega de viagem, deputado federal Rui Costa, que queria ser seu vice na chapa para governador. O problema deste pedido é fila que esta longa, pois além deles dois, estar na fileira o prefeito de Camaçari Luiz Caetano, o deputado Gabriele, o senador Walter Pinheiro, o secretário de infraestrutura, Orton Alencar e pelo visto, tem mais gente.

Agora, conheça uma pouco da história de Cipó – Em 1730 O Padre Antônio Freire, donatário de uma sesmaria no sertão de Itapicuru de Cima, dirigiu uma representação ao Vice-rei do Brasil, a respeito da utilização das águas termais da região. Somente em 1829, porém o governo da Província mandou construir, pelo capitão-mor João Dantas, um estabelecimento de banhos nas fontes da Missão da Saúde, a um quilômetro da vila de Itapicuru, sendo concluídas as suas obras em 1833.

Já em 1831, a Lei provincial nº 186, mandava construir no lugar denominado Mãe-d’Água de Cipó, uma casa para abrigo dos doentes que procuravam aquelas fontes.

Anos depois, por volta de 1843, a Assembléia mandou construir outra casa que, tal a primeira, passou a chamar-se “Casa da Nação”. Muito tempo depois, as duas casas abandonadas, ruíram devido a uma enchente do rio Itapicuru. Várias tentativas foram feitas para a construção de um balneário, mas somente em 1928 foi concedida permissão para a exploração das águas, fato que ocorreu em 19 de março do mesmo ano. Esta data assinala o início do progresso de Cipó que, a 8 de julho de 1931, foi elevado à categoria de município por força de decreto estadual de nº 7.479. Em virtude desse decreto foram supressos e anexados ao seu território os municípios de Nova Soure, ao qual Cipó pertencia na situação de povoado, Ribeira do Pombal, Tucano e Ribeira do Amparo.

Em 27 de maio e 19 de setembro de 1933 e 18 de julho de 1935, pelos Decretos Estaduais nº 8.447, 8.643 e 9.600, respectivamente, os municípios de Tucano, Ribeira do Pombal e Nova Soure obtiveram autonomia. O município de Nova Soure, porém, perdeu toda a área necessária à formação do distrito sede de Cipó, que juntamente com território total de Ribeira do Amparo, que não logrou emancipação, formou o atual município de Cipó, ficando este, segundo a divisão administrativa do País vigente, composto de três distritos: Cipó, Ribeira do Amparo e Heliópolis.

Alguns anos depois, o governador do Estado, após verificar a situação de abandono em que permanecia o lugar, mandou concluir a rodovia Alagoinhas-Cipó e efetuar o levantamento semicadastral, com o objetivo de traçar o plano urbanístico da cidade. Assim, em 16 de maio de 1935, Cipó era tornado Estância Hidromineral.

Histórico Turístico – Em 1906, o Coronel Genésio Sales, o qual sofria de úlcera estomacal, foi aconselhado por amigo a passar uma temporada no Sertão Arraial da Mãe d’Água de Cipó, para tentar curar-se do seu problema de saúde. Com a cura mandou construir perto da Fonte Termal, um chalé, que mais tarde, foi transformado em Hotel Termal.

Em 1926, Genésio Sales com o fim de chamar a atenção dos poderes públicos para aquelas águas, empreendeu uma arrojada viagem de automóvel de Alagoinhas a Cipó, a primeira que se fazia ao Nordeste do Estado. Não havendo estradas, seguiu o caminho das cavalgadas, em muitos trechos, mandava abrir estradas, alargar as existentes, para que o automóvel pudesse passar. Nos diversos povoados, os tabaréus, desconhecendo a existência de veículos sem tração animal, recebiam-no com grandes manifestações, faziam promessas e colocavam dentro do carro “vinténs” e “ex-votos”, o automóvel que era novo ao iniciar a viagem ficou bastante danificado. A imprensa de todos os estados do nordeste deu grande publicação ao acontecimento; anos depois, o governo do Estado mandou concluir a rodovia Alagoinhas-Cipó.

Em 1928 o chalé foi transformado no primeiro hotel da cidade por Genésio de Seixas Sales Filho, sob a denominação de Hotel Thermal e após receber em concorrência pública a concessão de uso das águas de Cipó, iniciou suas atividades profissionais, montando um serviço de assistência médica, para atender o povo do arraial e adjacências.

Em 19 de março de 1928 foi concedida permissão para a exploração industrial das águas. Nas fontes termais, onde havia quatro banheiros de palha, Genésio Sales construiu um moderno balneário, composto de uma piscina de água quente (na época a única existente no Brasil), um consultório médico, salas de espera e de tratamentos diversos, instalações sanitárias, “buvet” (chafariz para beber água termal) e dezessete banheiros, dos quais um era gratuito destinado aos pobres.

Em 1930, um bando chefiado por Lampião, o rei do cangaço, afastava os banhistas, causando grandes prejuízos, pois as pessoas o temiam, e por conseqüência disso, não apareciam para fazer uso das águas termais. Mais tarde, depois da morte de Lampião, a cidade voltou a atrair turistas, em busca de suas águas medicinais.

A 16 de setembro de 1935, Cipó era tornada Estância Hidromineral, a partir de cuja época passou a exibir uma notável movimentação, tendo em vista o vertiginoso afluxo de veranistas.

Após esse acontecimento, o Rádium Hotel, de arquitetura art déco, foi inaugurado em 1938, o qual hospedava turistas de vários países. Anexo a ele havia um cassino, freqüentado principalmente por hóspedes.

Com o grande número de turistas que passaram a visitar a cidade de Cipó, foi construído em 23 de julho de 1952 o Grande Hotel, conhecido como Elefante Branco da Terra, inaugurado pelo Presidente Getúlio Vargas.

Sua estrutura grandiosa atraiu muitos turistas que, além de desfrutar dos jogos e bailes que o Cassino proporcionava na época, usufruíam também das cascatas e piscinas situada no subsolo do Grande Hotel, sem contar o grande parque de diversão para crianças.

Os hotéis estão hoje em sua maioria fechados. Entretanto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tem planos de identificar os edifícios da cidade para buscar algum tipo de proteção à rica arquitetura existente na cidade, notadamente no estilo art déco.

Lenda de como surgiu o nome da cidade de Cipó – Conta que um caçador andava pelas margens do rio Itapicuru. Nas suas andanças pelo sertão, atirou em direção de um pássaro que estava pousado numa árvore e então revoou um bando, o qual chamou atenção do mesmo, e ao chegar perto, ouviu um borbulho de água jorrando no solo de temperatura quente e gosto estranho. Assim, percebeu que naquele lugar havia enormes árvores de Cipó, um verdadeiro Cipoal.

O caçador ao seguir seu percurso em direção da cidade de Itapicuru da Missão, espalhou a notícia das águas descobertas e indicou a todos que a mesma estava na localidade de Cipó, no cipoal às margens do rio Itapicuru.

Por: Raimundo Mascarenhas



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