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quarta-feira, 06 de julho de 2011 20:15

São Domingos – Em protesto a morte de preso, populares queimam carro e ameaçam invadir Delegacia

A vingança em atear fogo no carro foi por ter sido este veículo que Sidney teria batido com uma pedra no capô, segundo relatou o guarda ao delegado e que ocasionou na sua prisão, e conseqentemente na sua morte.

Se a terça-feira, 5, o clima esteve tenso depois da morte de Sidney Santana Rocha, 26 anos, esta quarta-feira,6, a situação foi ainda pior. Populares inconformados atearam fogo no Woyage do guarda Municipal José Roberto e tentaram invadir a delegacia. Para alguns moradores, o veículo foi talvez, a principal causa da morte de Tim, como era conhecido o Sidney. Pois segundo o guarda relatou ao delegado Jorge Umbelino na manha de terça-feira, Tim teria batido com uma pedra duas vezes no capô do seu carro que posteriormente o prendeu.

No fim da manha de hoje, no momento que acontecia o velório na residência da mãe da vítima, populares perceberam Chico passando sentido delegacia, que fica próximo ao local do velório e saíram correndo na tentativa de pegar o funcionário publico, que ao chegar na delegacia entrou rapidamente e deixou seu carro no lado de fora. Neste momento os manifestantes começaram a atirar pedra no veículo e não dando por satisfeitos, colocaram o automóvel em ponto morto e saíram empurrando até a Praça Izaque Pinheiro, centro da cidade, que fica a cerca de 300 metros da delegacia, ao chegar ao largo que fica em frente à Prefeitura Municipal, emborcaram o Woiage e atearam fogo.

Veja o Vídeo

Naquele momento o policiamento ainda era pequeno para conter o protesto, mais de cem pessoas com o mesmo propósito retornou a delegacia a procura de Chico como é conhecido na cidade o guarda dono do carro.

O sepultamento aconteceu às 14h com dezenas de pessoas com cartazes, pedido por justiça. Uma delas foi à irmã de Sidney, a Leiliana Santana que veio de São Paulo para o sepultamento, disse que não tem presa para voltar e que pretende viajar só quando vir uma resposta da justiça. “ É lamentável uma situação como essa, uma cidade sem delegado, sem promotor, sem Juiz e sem policial qualificado. Aqui tem quatro anos sem delegado, hoje tem dois só por causa desse acontecimento”, falou indignada Leiliana.

A situação de tensão só veio aclamar por volta das 14h30, depois da realização do sepultamento, mesmo assim os policiais militares que estavam em sete viaturas do 16º Batalhão de Serrinha, comandadas pelo capitão Joilson Lessa da 4ª Cia / Conceição do Coité, e outras seis viaturas da policia civil da coordenadoria de Serrinha permaneceram no centro da cidade, para evitar nova manifestação.

Em nota da Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia, divulgada na imprensa na tarde de hoje, diz que o Departamento de Polícia do Interior (Depin) determinou que o delegado Fábio Santos da Silva, coordenador da 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), com sede em Serrinha, se deslocasse para o município de São Domingos, a 245 quilômetros de Salvador, para apurar as circunstâncias da morte de Sidnei de Santana Rocha, 27 anos, ocorrida, na madrugada de terça-feira (5), quando era transferido para o Hospital Regional de Feira de Santana.

Sidnei foi preso e encaminhado à delegacia do município depois de se envolver numa briga com um guarda municipal. O investigador Marcelo da Silva Souza, chamado ao local, efetuou a prisão do rapaz, que se mostrava exaltado e recusava-se a ficar custodiado na unidade policial. Durante a madrugada, o preso passou mal na carceragem e foi socorrido para o hospital.

A investigação, presidida pelo coordenador Fábio Santos, está sendo acompanhada pelo Ministério Público da Comarca de São Domingos. “O laudo pericial que determinará a causa da morte ainda não está pronto. Porém, não existem indícios de que o preso tenha sido torturado”.

Todos os envolvidos no episódio, dois funcionários municipais que trabalham na carceragem e o investigador, foram ouvidos e os depoimentos serão encaminhados ao Depin, juntamente com o laudo pericial. Após a análise das peças, a Polícia Civil decidirá se instaura processo administrativo contra o policial, que tem prazo para conclusão de 60 dias. Marcelo está afastado preventivamente de suas funções.

Por: Raimundo Mascarenhas/ fotos: André Franco- Noticias do Sisal e Sisal News – Video agitosvips.com

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