Dilma, Wagner e as eleições municipais – José Avelange

“...é possível estreitar bem mais os laços com as lideranças de base.”

No interior, possivelmente bem mais que nas cidades grandes, o eleitorado avalia os candidatos a cargos públicos segundo as obras que tiverem conquistado, de tal modo que cidadãos com excelente potencial para a correta gestão dos recursos públicos, personalidade equilibrada e sólida militância junto às causas populares podem ser simplesmente ignorados, durante o processo eleitoral, trocados por concorrentes que não possuem nenhuma destas qualidades, mas que estão em grupos políticos que ostentam obras, muitas delas paradoxalmente concedidas pelos governos de centro-esquerda que chegaram aos executivos estadual e federal, nos últimos anos.

É louvável que Lula, Wagner e agora Dilma não tenham discriminado municípios, ao distribuir os recursos que possibilitaram avanços consideráveis na infra-estrutura de muitas cidades, e ninguém em sã consciência desejaria o contrário, mas é também evidente na expressão de milhares de lideranças de movimentos, pastorais sociais, associações comunitárias e afins um certo desconforto em perceber como recursos e obras chegam mais facilmente às suas cidades sob a tutela daqueles que conservam ainda as velhas práticas e manobras combatidas por toda a vida pelas lideranças humildes, antes inspiradas em ideais de moralidade administrativa presentes nos discursos destes governantes maiores que ora se encontram no poder.

O combate daqui de baixo que tantas vezes atraiu incompreensões, calúnias e até perseguição violenta parece perder apoio, é como se não fizesse nem sentido mais. Nunca, na história deste país, se misturaram tanto joio e trigo e, de fato, o puritanismo político pode ser uma tolice, mas não é inteligente também desprezar um pouco a sociedade civil para garantir apoios de lideranças oportunistas que vivem esperando a hora de tudo voltar a ser como era antes.

Custa entender que depois de tanto suor, lágrima e poeira, muitas barreiras para as lideranças populares continuem as mesmas, enquanto aproveitadores com facilidade abocanham a maior parte dos recursos públicos e procedem à construção das tão propaladas obras, que dão ao povo simples a impressão de que estes coronéis modernosos são capazes de governar bem e os líderes sinceros com quem a pobreza convive todos os dias não o são.

Após anos de militância, desde a mais tenra juventude, e tendo passado pela Câmara Municipal de Riachão do Jacuípe, na condição de vereador pelo Partido dos Trabalhadores, não me resta dúvida de que a militância petista de base e as forças sociais que essa militância mobiliza carecem de mais atenção e presença dos governos petistas que nos últimos tempos ajudamos a construir. Não se trata, aqui, de desmerecer os progressos que alcançamos com Lula, Wagner e Dilma, mas de ajudá-los a perceber que é possível estreitar bem mais os laços com as lideranças de base e que isso, em última instância, só pode resultar em ganho político, se a questão é manter o projeto.

Evidentemente existem ações de interesse coletivo que competem privativamente aos entes públicos, mas não se deve descuidar da possibilidade de muitas outras serem implementadas por entidades civis, conforme já acontece em alguns lugares onde houve melhores condições de organização social. Em outras regiões, porém, mormente no semi-árido, falta orientação, falta incentivo e, por mais que se entenda os limites do governo estadual, diante de centenas de cidades com suas milhares de demandas reprimidas, permanece sempre a noção de que aqueles projetos políticos locais mais afinados com as ideias de Dilma e do próprio Wagner podem terminar fracassados por uma certa dificuldade destes valorosos companheiros empoderados se mostrarem próximos das forças autênticas que os elegeram.    Sem essa presença marcante dos governos, aqui entendida como condições menos burocráticas de convênio e outras formas de parceria com a sociedade civil, logo mais em 2012, o eleitorado vai olhar por meio de suas lentes embaçadas pela desinformação e concluirá o seguinte, em relação às lideranças populares locais: “Eles são gente boa, mas não fazem nada, não têm obras”. Assim escolherão para seus municípios as propostas políticas mais anacrônicas, muitas delas capitaneadas por gente fraudulenta que, de resto, existe hoje em qualquer partido, mas em alguns proliferam bem mais que em outros, enquanto o judiciário protela o resultado de ações em que essa gente se acha envolvida, em razão de improbidade administrativa.

Não é difícil antever, portanto, que as elites neo-conservadoras podem bem retomar os seus antigos postos, caso aqueles políticos que ainda representam um traço de mudança no Brasil e neste Estado vacilem em perceber o quanto é aqui exposto.

Por: José Avelange Oliveira Mota

 

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  1. Nessivaldo V. A. Santos: 
    itajai santa catarina - 8 de janeiro de 2012
    devemos lembrar que dilma é lula não tem obrigasção de olhar para regição sisaleira mas sim cabe o prefeitos juntos com os deputatos e cenador é governador buscar melhorias para aregião,o que falta é pessoas que emtenda de projetos de desenvolvemeto para que a região evolua,pt tem muitas coligações no nordeste.
  2. Prof Henrique Valença: 
    Conceição do Coité - 7 de janeiro de 2012
    Prabéns Avelange, suas reflexxões são bastantes pertinentes. Mas, devemos lembrar que nós ajudamos a construir mecanismos de proteção do erário, acredito que na condição de educadores que somos devemos buscar educar os brasileiros e brasileiras, espalhados pelo mundo. Temos que empolderar as militâncias, fortalecendo o nosso maior patrimônio, o conhecimnto. Jamais pensei que seria fácil alterar tantos anos de impunidade e corrupção... contudo, mantenho a confiança e a esperança que é possível sim mudarmos o mundo de uma maneira bem simples, mudando primeiro a nós mesmos. Temos que ter a consciência de que somos uma nação e como tal necessitamos de uma colaboração infinita daquelas pessoas que desejam a mudança.
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