Toda a agitação política real ou virtual dos últimos dias, em Riachão Jacuípe, sinaliza duas coisas. A primeira é que existe um desejo considerável de mudança, por parte das pessoas mais instruídas e a segunda é que há políticos locais com certa fixação pela chefia do Executivo Municipal, sem talvez ponderar as implicações do cargo e os reflexos que isso traz para a vida pessoal, familiar, etc. Tanto é verdade que a conjuntura política do município, nos últimos anos, ficou conhecida por imaturidades e posturas visivelmente incompatíveis com o exercício da gestão pública.
Nesse período, Riachão do Jacuípe foi projetado para além de suas fronteiras, através da imprensa, bem mais por situações negativas do que por coisas boas, que também foram feitas, mas não o suficiente para romper com um modelo de gestão altamente atrelado a interesses particulares.
Agora todos querem representar novidade e alguns dos que se apresentam como pré-candidatos realmente estão afinados com essa proposta de interromper o círculo vicioso do “toma lá, dá cá”, mas outros, não. Mesmo quando falam em mudanças, mantêm ainda ranços de clientelismo bem disfarçado.
Em minha opinião, a única perspectiva de mudança concreta, na política jacuipense, requer que o grupo de Tânia Matos considere seriamente a possibilidade de ela não ser candidata, porque, mesmo respeitando quem quiser discordar de mim, penso que D. Tânia enfrentará muitas pressões, se for eleita prefeita, além de carregar a rejeição de eleitores de fora de seu grupo que associam a imagem de um possível governo dela à gestão problemática de seu esposo.
Se, por um lado, é verdade que o grupo de D. Tânia possui inegável vantagem, em matéria de intenção de votos, por outro, não basta ter muitos votos para se ganhar uma eleição. É preciso ter a maioria de votos e é possível que os membros do antigo grupo tenham compreendido esse fenômeno, nas últimas eleições.
Podem ser consideravelmente poucos aqueles eleitores que não estão sob a influência política de nenhum dos dois maiores grupos locais, mas esses poucos podem ser o fiel da balança, numa eleição, e incluem gente com qualidades éticas, técnicas e políticas suficientes para começar a colocar o município nos trilhos do desenvolvimento, atacando o problema da corrupção e da falta de planejamento, que tem deixado Riachão do Jacuípe muito aquém de suas potencialidades econômicas, sociais, culturais, etc.
Noto também que o candidato da situação, quem quer que seja, sai a campo com a imagem comprometida pelos erros das duas últimas gestões e não terá argumentos convincentes para anunciar em palanque as mudanças que o município precisa. Aqui, o leitor vai me perguntar: “E o candidato eventualmente apoiado pelos valfredistas terá respaldo nos fatos para falar em mudanças?”
Terá, sim, porque é mais fácil construir um governo realmente novo, estimulando velhos políticos a se acostumar com práticas renovadas do que dar seguimento a um estilo de governo clientelista em que os apoiadores da atual gestão certamente estarão por perto, querendo manter privilégios vigentes até aqui.
Quem quiser representar novidade, nas eleições deste ano, em Riachão do Jacuípe, precisa dizer claramente ao povo, entre outras coisas, como vai agir em casos de corrupção, como fará a distribuição dos cargos de confiança e dos contratos de locação de imóveis e veículos.
São estes aspectos que terminam resultando nos maiores problemas, disputas e baixezas que se tem verificado na política local. Os pré-candidatos que fogem destas questões podem ser apenas oportunistas e, de oportunistas, estamos cheios.

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