A descriminilização do uso de drogas – Cléber Couto – Advogado

Será que o governo criará uma espécie de “entrega a domicílio” dessas drogas?

A comissão de juristas que debate a reforma do Código Penal Brasileiro no Senado aprovou, no final do mês de maio, a descriminalização do uso de drogas no Brasil.

A mudança, incluída no anteprojeto que vai ser apresentado aos senadores no fim de junho, libera o uso pessoal de uma quantidade de drogas que seja equivalente ao consumo médio individual para cinco dias.

O Procurador da República, Dr. Luiz Carlos Santos foi o único membro que discordou da mudança proposta pela defensora pública, a Dra. Juliana Garcia Belloque.

Em que pese a importância e as opiniões divergentes acerca de um tema como esse, a sociedade brasileira nunca fui consultada sobre a liberação do uso de drogas.

No dia 7 de julho de 2005, o Senado Federal promulgou, por meio do Decreto Legislativo n° 780, a realização de um referendo acerca do comércio de armas de fogo no Brasil.

No artigo 2º do referido decreto ficava estipulado que a consulta popular seria feita com a seguinte questão: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. Os eleitores puderam optar pela resposta “sim” ou “não”, pelo voto em branco ou pelo voto nulo.
O resultado final foi de 59.109.265 votos rejeitando a proposta (63,94%), enquanto 33.333.045 votaram pelo “sim” (36,06%).
Entendo que o uso de drogas é ainda mais relevante para a sociedade brasileira, do que o comércio de armas; contudo, ainda não se percebe qualquer movimento do Poder Legislativo Nacional no sentido de fazer valer a democracia plena, segundo a qual a opinião da maioria deve prevalecer.

Há muitas opiniões que se conflitam sobre o uso de drogas e seu tratamento na esfera do Direito Penal; opiniões inclusive de especialistas no assunto; contudo, uma decisão como essa deveria ser submetida a uma consulta popular, ou sob a forma de plebiscito (consulta ao povo antes de uma lei ser constituída) ou sob a forma de referendo (consulta ao povo após a lei ser constituída, em que o povo ratifica a lei já aprovada pelo Estado ou a rejeita).

Mesmo antes do resultado dessa consulta popular, gostaria de expressar a minha opinião sobre o assunto, manifestando a convicção plena de que nenhuma vantagem advirá para a sociedade brasileira, caso essa liberação venha a ocorrer.

O projeto apresentado pela Comissão de Reforma do Código Penal ainda mantém como crime a venda de drogas. Gostaria que me explicassem como se pode liberar o uso e continuar a se punir o tráfico de drogas.

Em que lugar as drogas serão adquiridas, se os traficantes continuarão a ser perseguidos pela polícia? Vejam como um assunto tão sério está sendo tratado por uma comissão que se apresenta como de notáveis!
Será que o governo criará uma espécie de “entrega a domicílio” dessas drogas?

A mesma proposta, visando abrandar os efeitos da aberração jurídica, social e cultural, resolveu manter como crime o uso de drogas na frente de crianças e adolescentes.
Que contradição!

Se o uso de drogas é nocivo à saúde, ao bem estar da nossa sociedade, a ponto de não poder acontecer na frente de crianças, como poderemos concordar com a liberação do seu uso por parte dos adultos? Quem controlará essa proibição, a polícia? Dentro dos lares, das faculdades, das empresas?

Não me venham com a idéia de que a liberação do uso de drogas permitirá que os viciados sejam tratados como doentes, porque uma coisa nada tem a ver com a outra.

Nada nos impede de tratar os dependentes químicos e continuar a proibir o uso de entorpecentes.
Os defensores da liberação, citam a Holanda como um modelo.
Mas tudo isso é uma falácia.

Lá é tolerado o uso da maconha e haxixe (drogas consideradas leves) em ambientes determinados pelo governo, que são chamados de coffeeshops e clubes de jovens.

Não é permitido o uso ou a venda em locais públicos, nas ruas ou em estabelecimentos comerciais.
Mesmo com todas essas limitações, não funcionou e a Holanda já pretende rever a sua posição sobre o tema, porque a liberação em nada resolveu o problema dos usuários.

Muito pelo contrário, aumentou o número de dependentes e agravou ainda mais a situação dos dependentes.
Isso também não vai funcionar no Brasil.

Será bom para os líderes das facções criminosas das favelas do Rio de Janeiro e das outras grandes cidades brasileiras, já que o tráfico se espalha por todo o território nacional, porque com a liberação do uso das drogas, aumentará, com certeza, o número de usuários e, por via de conseqüência, o mercado deles também crescerá.

Poderá ser bom para alguns que são dependentes químicos, mas se escondem atrás dos seus cargos, nos diversos níveis de poder público e privado, que poderão livremente expor as suas mazelas, sem a culpa da ilegalidade.
Mas não será bom para a sociedade brasileira, que deverá ter ainda maior cuidado com seus filhos, evitando que esses se deixem seduzir nas ruas, no trabalho e nas escolar, por algo que só traz destruição.

Para aqueles que usam as drogas e se dizem intelectuais, capazes de controlar o vício, vai a mesma recomendação dada aos usuários do álcool e do fumo: apreciem com moderação.

Que Deus nos proteja de mais uma loucura legislativa brasileira!

Por Cléber Couto, advogado.
e-mail: [email protected]

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  1. JEEP BRAVO: 
    Salvador - 6 de julho de 2012
    Esses intelectuais, artistas e outras pessoas públicas, não têm perda social, afetiva e moral por serem usuários. No entanto, o pobre com a descriminalização das drogas, continuará sendo marginalizado pelo hábito que se tornará mais visível. Além do que, esses pobres, agora viciados legais, por não terem condições de comprar a droga continuarão roubando para se viciar.
  2. JEEP BRAVO: 
    Salvador - 6 de julho de 2012
    Cardo Dr. Ivo, é realmente lamentável a preocupação de pessoas que deveriam ser referência - especialmente intelecutais e artistas -, engajados na descriminalização do uso das drogas. Para essas pessoas, a maioria usuários, entram en clínias de desintoxicação, buscam variadas terapias, e, possuem renda suficiente para manter esse execrável hábito (inclusive o abuso de álcool).
  3. Djalma Lucas Cordeiro: 
    Ichu - 4 de julho de 2012
    Dr...quero parabeniza-lo pelo seu posicionamento com relação a liberalidade do entorpecente, já vivemos uma luta no combate ao alcool e o fumo, e agora mais esta, gostaria só de ressaltar o seguinte: A Policia vai deter o elemento com uma boa quantidade de drogas, se ele (usuário) disser que é para consumir em cinco dias, quem vai provar o contrario? se de repente ele consome muito?
  4. Lucidalva: 
    Conceiçâo do coité - 29 de junho de 2012
    O que vemos é uma contradição, gasta-se muito com propagandas para evitar o uso de drogas e depois os nossos legisladores querem liberar. Sabe porquê ? não vive na pele de mihares de famílias que choram diariamente ao verem seus filhos drogados, quando os tem, são encaminhados as melhores clínicas, já os filhos dos pobres estes nem sabe onde encontrar atendimento, um hospital digno p/ tratamento.
  5. Jair mota junqueira: 
    Conceição do Coité - 21 de junho de 2012
    Brasil, "Democracia" contraditória: Democracia em que o povo é obrigado a ir às urnas. Democracia que o governo toma decisões prejudiciais à "nação" sem que os principais prejudicados sejam consultados. Democracia, onde ladrões de galinhas são julgados e condenados, enquanto políticos desviam milhões dos cofres públicos sem nenhuma punição. Brasil: meu orgulho, minha vergonha.
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