Muitas pessoas de famílias humildes, honradas, porém, viram seus filhos e netos galgando posições altas no meio da sociedade de Conceição do Coité e regiões ou distante.
Essas pessoas, beneficiadas, direta ou indiretamente poderiam, quando nada, voltar no tempo ou ouvir aqueles que viram Conceição do Coité, da década de 60 ou mesmo um pouco antes.
A Igreja Matriz, o Paço Municipal, o Termo, pois a Comarca era de Serrinha com o grande Juiz de Direito de lá Dr. Augusto Machado. As ruas arenosas, aqui ou ali alguns paralelepípedos vindos de Santa Luz, antiga Santa Luzia. Valente, recém-emancipado, o município dos Motas, Carneiros e Araújos. Valente, querida, do Juiz, já Pretoria da Comarca de Conceição do Coité, recém criada, Geraldo Walter ou José Geminiano.
Conceição do Coité da rua de Baixo, da rua de Cima, da rua do Cemitério, Padre Madureira, da Praça da Matriz. Do Clube Castro Alves no seu começo, da Banda de Música ou Philarmônica do seu Birô e do Valdetino, do Vega, já no seu final.
Dois times de football, Comercial (dos brancos) e Internacional dos “homens de cor,” do Campo dos “olhos d`água”.
Da Padaria do “seu Mota”, da loja do “seu Calixto”,do “seu Tilô”, do Escritório de Durval Pinto (meu amigo irmão – Aleluia!) e das atividades pastoris de Eustórgio Resedá.
Do vinho e vinagre do Fragoso, da conciliação de Genésio Boaventura, homens sábios e honestos. Fragoso admirando as estrelas e Genésio buscando Justiça. Depois, uma geração enorme, da música, dos bailes, das serestas, dos violões do “Zé de Tindé” e Saxofone do nosso alfaiate maior Antonio Pinto.
A Cultura e a Educação, não fosse o negro e velho Sizenando, a religião com o negro maravilhoso “Pai Bico”, o dançarino, a saúde com Dr. Pinheiro, Gouveia e Almir Passos, pessoas que representam todos os demais que agora me somem da mente septuagenária.
Ah! As Missas de Padre Urbano, a Serenidade de Eurico Sampaio, o delegado, a pressa incontrolável de Antonio Ferreira e o espírito empreendedor de Teócrito Cunha.
A representatividade de Argemiro Ramos de Aroeira, de Pedro Carneiro de Juazeirinho, dos Maias da Lagoa do Meio de Pânfilo do Curral Velho, de José Ferreira de Salgada, de José Amâncio da Gangorra, do Clício da Bandarrinha.
Sim, Senhores, a Educação não passava do Grupo Escolar Antonio Bahia. Era triste!
Um dia, por volta do ano 60, não me recordo com precisão, quieto, pouco ou nada falante, aparece Evódio Resedá, com um senhor baixinho, bem vestido, numa semana que sugeria um dilúvio de tantas chuvas que os sertões presenciavam, apresentando-me.
Ele, da Secretaria de Educação, por intermédio de Evódio e de mais ninguém, vistoriava a possibilidade de “abrir” um ginásio em Conceição do Coité. Evódio, discreto, de pouca conversa, mas séria e produtiva, mostrava ao ilustre fiscal, das possibilidades, além das necessidades da cidade, da região.
Ele liderava o Tema. Fui, naquele instante, seu acólito, tentando ajudar na proposta que ele sustentava com fé e amor. Evódio conseguiu. Mais tarde, criado o Ginásio, deu-lhe o nome de Wercelêncio, em homenagem ao velho Mota que, juntamente com Eustorgio, seu pai, lideravam aquela gente, aquele povo sofrido dos sertões. Posições, discretamente, distintas.Evódio conseguiu e o Ginásio foi inaugurado.
O prédio foi edificado numa rua, então deserta, no sentido de Conceição do Coité-Juazeirinho. Mais tarde, bacharel de Direito, fui por algum tempo seu Diretor até que o cargo me foi solicitado.
Não guardei mágoas, ao contrário, tenho orgulho do convite, na época, que me fez o Evódio. Ele não interferia, não exigia, impunha-se como líder, sugeria discretamente.
Com certeza contribuí bastante para a formação de algumas pessoas que vivem e militam profissionalmente em Conceição do Coité.Constantemente volto à minha terra, vejo algumas festas, alguns eventos e sinto um silêncio hibernal com relação aos fatos e pessoas da cidade.
Vejo o Evódio, ainda hoje andando até o Sindicato, saindo com filhos e netos para sua fazenda, em exposições com seus carneiros. Sempre quieto, discreto.
Abraço-o, porque vejo seu valor e porque o admiro. Não vejo uma homenagem, não vejo um agradecimento aberto, franco, sincero, daqueles doutores, engenheiros, professores, advogados que, se o são, a razão maior foi a criação, pelo Evódio, o Tabelião, do Ginásio Wercelêncio.
Aquele episódio foi a abertura de todas as portas para o Município e sua gente. Soube que o “Wercelêncio” não mais existe. Com certeza, um pedaço do Evódio se foi. Ele não fala, é sóbrio, é pouco penetrável nos seus sentimentos. O Wercelêncio foi um marco e Evódio o seu criador. Sinto não ter sido um amigo maior.
Dedico-lhe estas palavras para registro da minha fraterna gratidão e dos filhos de Conceição do Coité que pensam assim.
Evódio, você figura entre os homens mais sérios e dedicados à terra querida.
Você fez a Educação de Conceição do Coité andar.
Antônio Paraguassú Lopes

