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domingo, 26 de agosto de 2012 14:23

As campanhas eleitorais refletem a relação dos políticos com o povo – Cléber Couto

Mais uma vez, aberto o período das campanhas eleitorais, podemos sentir, na pele, qual o tipo de relação que existe entre os políticos e o povo.

Há algumas semanas, na cidade de Riachão do Jacuípe, uma carreata impediu o trânsito na BA 120 e quem desejava sair de Coité para Feira de Santana, que tivesse paciência, pois os políticos desejavam divulgar os seus nomes.

Em Feira de Santana, plena Avenida Getúlio Vargas, horário comercial e, mais uma vez, uma carreta política atrapalha a vida das pessoas, que tem os seus compromissos e, apesar disso, são agredidos no seu direito constitucional de ir e vir livremente.

Essa história se repete por todas as cidades brasileiras, na maior naturalidade: ruas são fechadas, estradas são bloqueadas, e o povo que se dane.

Em nome da autopromoção, com o objetivo de realizar os seus intentos, os políticos vão emporcalhando as ruas com seus panfletos e santinhos; vão estourando os nossos tímpanos com carros de som que nos empurram goela abaixo músicas da pior qualidade, vão ferindo o nosso direito a um visual limpo, com seus banners e cavaletes postos nas praças e avenidas.

Se não quisermos sair de casa, para evitar esse lixo todo, eles nos impõem, por força de lei, um horário eleitoral obrigatório na TV; se você desejar desligar a sua TV e ligar o rádio, lá estarão eles novamente, nos impondo uma propaganda que, na absoluta maioria dos casos, não desejamos ver, muito menos ouvir.

Assim é o período eleitoral, que se repete agressivamente, de dois em dois anos, no Brasil.

Assim também é a relação dos políticos vitoriosos com o povo brasileiro: uma vez eleitos, já na condição de administradores públicos, eles continuam a nos agredir, repetindo, truculentamente, o descaso para com os cidadãos.

Notícias de corrupção se avolumam na imprensa e, quando flagrados, dizem que foi sobra de campanha, caixa dois, acertos políticos.

Os serviços públicos continuam a ser prestados com deficiência, sob a alegação de falta de recursos; os professores federais, estaduais e municipais recebem salários aviltantes e quando fazem greve, recebem como resposta a impossibilidade financeira de conceder aumento.

Poderíamos discorrer centenas de problemas na prestação dos serviços à sociedade, mas nos basta concluir que campanha política custa caro; reeleição fica ainda mais onerosa e de onde vem esse dinheiro todo? Será que sai dos bolsos dos próprios políticos, generosos que são? Será que a gasolina dos carros e motos que participam das carreatas, que os banners e demais produtos da mídia política, estrutura de carro de som e coisas mais, vem dos recursos dos próprios candidatos?

Alguém tem que pagar essa festa toda e, com certeza, como sempre, esse custo será nosso: agora por meio da corrupção, ou mais tarde, por meio do desejado financiamento público das campanhas.

Em resumo, aquilo que começa errado, só pode terminar pior ainda.

Se o povo não é respeitado nos seus mais comezinhos direitos pessoais, durante as campanhas, quanto mais quando esses políticos forem eleitos.

O período eleitoral é apenas um aperitivo do que virá pela frente. Que Deus nos guarde.

 

Por Carlos Cléber de Oliveira e Couto

Advogado



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