religiao

quinta-feira, 01 de agosto de 2013 15:01

GGB pede Pastoral Gay para Arquidiocese de Salvador

A assessoria da Arquidiocese informou que a mensagem será encaminhada a dom Murilo, mas não pode determinar quando ele vai responder à solicitação.

Luiz Mott: "que a Igreja Católica no Brasil deixe de ser nossa inimiga!

Luiz Mott: “que a Igreja Católica no Brasil deixe de ser nossa inimiga!

O Grupo Gay da Bahia (GGB) resolveu testar se a mudança da Igreja em relação aos homossexuais é para valer após a declaração do Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude, segundo a qual “se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la. O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas integrados à sociedade”. A entidade enviou, nessa quinta, 1, uma solicitação de audiência ao arcebispo de Salvador e primaz do Brasil dom Murilo Krieger, para formalizar o pedido para a Arquidiocese baiana nomear um sacerdote de uma pastoral específica voltada para a integração na sociedade da comunidade católica LGBT.

Na mensagem, os ativistas homossexuais lembram que em 1983 o Cardeal-Arcebispo de Salvador, dom Avelar Brandão Vilela “fez esta profética declaração em total sintonia com o atual Pontífice: ‘Não podemos louvar nem incentivar este tipo de minorias, mas dado que elas existem, não se pode nem se deve fazer violência contra os homossexuais: devemos ajudá-los e nunca violentá-los'”.

Além disso, numa entrevista à revista Veja publicada em 4 de dezembro 1985 ponderou que “o doloroso mal da AIDS não é um castigo de Deus. Se Deus tivesse de fustigar o homem sempre que cai em pecado contra o Decálogo, precisaria desfechar minuto a minuto o chicote de sua ira contra milhões de pecadores. Por tudo isso, tenho muita pena da chamada família gay. Há nesses grupos muita gente capaz, rica em valores intelectuais e artísticos. Os pecados dos gays merecem a nossa compreensão. Como cristão peço que todos aidéticos sejam tratados condignamente, quaisquer que sejam eles, sem discriminação de raça, religião, ideologia e condição sexual”.

A assessoria da Arquidiocese informou que a mensagem será encaminhada a dom Murilo, mas não pode determinar quando ele vai responder à solicitação.

Ceticismo – Cético em relação à postura da Igreja sobre os homossexuais, o antropólogo Luiz Mott, militante gay histórico, ponderou que é o momento de “fazermos desse limão azedo, uma doce limonada”, alegando que o Papa Francisco “é nosso mais importante inimigo útil”.
Mott o considera inimigo “pois só aceita na igreja gay casto, celibatário” e, na sua opinião o homossexual “sem homoerotismo murcha, perde sua alegria de viver, vive no inferno”.

Contudo, acredita ser possível usar as “palavras de acolhimento relativo”, como bandeiras “para diminuir o peso da cruz que sua própria igreja, por dois mil anos, impõe a quem ousa se afirmar e comportar como LGBT”. E assinala: “ele e suas palavras são a partir de agora nosso escudo, nosso amparo, nosso passaporte e password para com suas mesmas palavras, confrontar qualquer insulto, comentário ou prática homofóbica. E tentarmos fazer da igreja católica no Brasil, se não nossa aliada, quando menos, que deixe de ser nossa inimiga”.



COMENTÁRIOS

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores, desta forma não representa a opinião do Calila Noticias. Contamos com o bom senso e educação dos nossos internautas. O Calila Noticia, poderá remover sem aviso prévio qualquer comentário que seja considerado ofensivo e contenha palavras de baixo calão.

  • + LIDAS