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segunda-feira, 28 de outubro de 2013 17:08

Cirurgia inédita é realizada em bebê na Bahia

Até então, casos que precisassem dessa modalidade de intervenção eram encaminhados para São Paulo

Intervenção cirúrgica pouco comum obteve sucesso mesmo antes da data programada

Intervenção cirúrgica pouco comum obteve sucesso mesmo antes da data programada

No último domingo, 20, no Hospital Santo Amaro, o esforço de uma equipe de médicos possibilitou a realização de uma cirurgia pouco comum, e até então inédita na Bahia, salvasse a vida de um bebê.

O procedimento, conhecido pelo nome de Ex-utero Intrapartus Treatment (exit), consiste na operação de bebês com problemas respiratórios ainda ligados à placenta, ou seja, antes mesmo do seu nascimento.

No caso baiano, foi diagnosticado no pré-natal que o bebê sofria de uma síndrome congênita rara que provoca a oclusão da traqueia e que atende pelo nome de chest high airway occlusion syndrome (chaos).

Após o corte do cordão umbilical, portanto, a criança que sofre de tal patologia não consegue respirar e morre pouco depois de nascer. Porém, o médico que acompanhava o caso, o obstetra Luis Carlos Santos, resolveu ir além e realizar a cirurgia capaz de salvar a vida da criança.

Alto Risco

O procedimento é especialmente delicado, uma vez que é necessário preservar o fluxo sanguíneo no cordão umbilical, proteger a placenta e evitar contrações no útero, normais no trabalho de parto.

Durante a cirurgia, foram retirados apenas a cabeça e o braço esquerdo do bebê, mantendo a circulação na placenta. Isso permitiu que a criança continuasse respirando pelo cordão umbilical.

Assim, a equipe médica pôde realizar o procedimento de abertura na traqueia e, em seguida, fazer o parto. Entre obstetras, anestesistas, neonatologistas, cirurgiões toráxicos e enfermeiros, 18 profissionais participaram da operação, que foi considerada um sucesso.

Avanços

Embora tivesse sido programada com certa antecedência, a cirurgia precisou ser feita de emergência, uma vez que a bolsa se rompeu com 37 semanas de gestação, duas antes do esperado.

Segundo o especialista em ginecologia obstetrícia e gestação de alto risco Paulo Roberto Gomes Filho, que integrou a equipe médica, a cirurgia é arriscada também para a mãe.

“Ela tem que estar focada na saúde do bebê porque é exposta a anestesia mais profunda, a um possível sangramento maior no útero e por ser uma ser cirurgia com técnica mais demorada, a deixa mais exposta também a uma infecção”, disse.

Apesar disso, a mãe passa bem e teve alta pouco depois. A criança, porém, permanece internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do Santo Amaro, uma vez que após o nascimento foram diagnosticadas outras patologias.

Gomes Filho acredita que, com a técnica desenvolvida a partir desse procedimento, a Bahia possa dar um grande passo e realizar, em breve, outras cirurgias existem.

Entretanto, o médico esclarece que, mesmo em escala global, são raras as operações do tipo.

Até então, casos que precisassem dessa modalidade de intervenção eram encaminhados para São Paulo. Na rede pública de saúde, porém, são muito raras as ocasiões em que se consegue a transferência para hospitais desse estado. “Só mesmo com um grande esforço”, disse.

Com informações do A Tarde*



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