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terça-feira, 01 de outubro de 2013 22:47

O sonho do carro novo – Jolivaldo Freitas

O baiano se queixa de estar devendo até a dentadura, mas só anda de carro novo. E tome carro nas ruas.

São mais de cinco mil novos veículos que chegam nas ruas da Bahia todo mês. Fico me perguntando onde é que o pessoal acha tanto dinheiro para comprar carro novo. Ainda mais que por onde passo – talvez esteja andando pelos lugares errados – só ouço a população se queixar de estar dura, suja no SPC e devendo até as calçolas e cuecas, quase que colocando a dentadura para venda nos classificados dos jornais.

Se a população está sem dinheiro, como pode comprar carro zerrinho, saindo da fábrica e com aquele cheirinho de carro zero que todo mundo almeja aspirar, como se fosse o meljhor dos perfumes franceses?. Tem gente que consegue até um orgasmo só entrar no carro com cheirinho de carro novo. Tanto que as revendedoras de carros usados descobriram a manha e já aplicam odor semelhante nos carros que eles chamam de seminovos, num eufemismo delirante, mas que consegue mesmo iludir os incautos. Ainda mais se o cara estiver louco para ter um possante e sair por aí pegando as periguetes.

O que se vê é que para comprar carro as pessoas fazem o diabo. Soube de um caso de um rapaz que morava dentro do carro, nas proximidades do Largo Dois de Julho. Era carro novo, no valor mais ou menos de uns 50 mil reais. Ele juntou dinheiro até que conseguiu comprar. Quando os amigos perguntavam porque não preferiu primeiro comprar ou dar entrada num apartamento para morar, onde teria mais conforto deixou claro que com o apartamento não poderia se deslocar e curtir a vida. Com o carro curtia de montão e era só parar num lugar qualquer e tinha onde dormir sem tomar chuva ou sereno. Eu por mim até pensei: não precisa recadastrar nem pagar IPTU ou condomínio. Sim, o carro era também seu escritório de venda de Herbalife.

E para enlouquecer ainda mais quem é pirado por carro, durante o ano as empresas jogam no mercado dezenas de modelos novos, cada um mais atraente que outro. Ontem, passando as vistas num só jornal, notei que no mês passado a indústria automobilística lançou o novo Focus, com preços “módicos” de R$ 60 a 90 mil. Tem também Peugeot 406 Coupé que nem aparece o preço. Vem aí também o Ágile versão Effect por meros R$ 45 mil. Ou você prefere um Mini Cooper que é mini apenas no nome?

Já me explicaram que existem mil formas de se adquirir um carro novo. Pode ser leasing, que depois se devolve. Tem a forma de comprar, usar, vender, daí compra outro dando entrada o dinheiro da venda e amortizando de alguma forma. Arriscar a sorte e pagar no consórcio a perder tão de vista que as vezes o carro acaba e a dívida continua. E a mais comum que é comprar em 120 meses, não ter como pagar e refinanciar, refinanciar, refinanciar ad infinitum porque as revendedoras não querem ter o trabalho de tomar na justiça o bem adquirido e envelhecido. Coisas do comércio e das coisas humanas.

(Acesse www.noticiacapital.com.br)



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