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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015 11:49

A galinha e o orçamento impositivo – Mário Lima

Calma! Ela não tem pretensões partidárias. Porém, em bom cocoroquês, está fazendo um protesto, cuja legitimidade é inconteste.

Com a eleição do deputado Eduardo Cunha, a reforma política está tomando corpo. Sintomaticamente, o primeiro item de uma pauta tão complexa a ser aprovado foi o orçamento impositivo. Muita gente comemorou dizendo ser a independência do Parlamento. E sabem quem entrou na discussão? A galinha.

Calma! Ela não tem pretensões partidárias. Porém, em bom cocoroquês, está fazendo um protesto, cuja legitimidade é inconteste.

De há muito D. Galinácea se sente incomodada com a associação de sua imagem ao comportamento fornicativo de certas pessoas. Porém, guardou sua mágoa em silêncio, pois sua opção por um relacionamento poliafetivo é coisa que só interessa a ela e aos seus muitos galos.

Acontece que, em meio as denúncias de tanta corrupção, foi aprovado o orçamento impositivo. E aí algum engraçadinho foi dizer que isto é a galinha dos ovos de ouro para os Parlamentares corruptos. Então D. Galinha se sentiu ofendida em seus brios maternos.

Nunca entendeu ela o porquê de tanta ingratidão humana para com os seus ovos. Por exemplo, será que Jonathan Swift, em As Viagens de Gúlliver, precisaria usá-los como metáfora para criticar as guerras? E Colombo! Precisava quebrar um para mostrar que era o porretão?

Tudo isto ela aguentou, mas associar seu nome e de sua família a uma relação promíscua que vai se aprofundar entre empreiteiras e Congressistas é demais. Aos que a tomam por analfabeta e desinformada, D. Galinha avisa que não é bem assim.

De fato, não freqüentou uma escola regular. Entretanto, depois que os seus pintinhos iam dormir, ela ligava seu velho radinho e assistia ao Projeto Minerva, onde aprendeu muita coisa boa. Por exemplo: que o papel de um Deputado é votar leis e fiscalizar o Poder Executivo. Logo, não entende essa história de Parlamentar intermediando obras.

Coisa que ela também não entende é o motivo do orçamento da saúde e da educação não serem impositivos. Assim, não lhe cheira bem a impositividade das chamadas emendas parlamentares. Tem ela certeza de que a eleição de Deputado e de Senador vai ficar ainda mais cara, porquanto$% (ETA conjunção arretada) eles possam ajudar os empreiteiros que se beneficiarão das emendas individuais que cada um deles apresente ao orçamento da União.

Portanto, D. Galinha não discorda de que, doravante, deputado e senador vai valer peso de ouro. O que ela quer deixar bem claro é que esse peso não sai de suas entrâncias. E finaliza dizendo que, de fato, tem um ovo nesta história, mas ele é o da serpente.

MARIO LIMA
ADVOGADO E PROCURADOR DO ESTADO DA BAHIA



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