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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015 22:37

Campanha de vacinação contra o golpe – José Avelange

Em pouco tempo, podemos ter uma sociedade vacinada contra certas tentativas da oposição, no sentido de construir atalhos para chegar ao poder.

Apesar dos poréns que eventualmente envolvem sua figura pública, Ciro Gomes tem sido direto e certeiro, quando se trata de ajudar o povo a entender o que está acontecendo no Brasil e de fato boa parte dos brasileiros ainda parece dar ouvidos ao discurso golpista da oposição.

Mais do que convocar as pessoas para a rua, portanto, quem é governista precisa tratar de esclarecer o povo, porque a aparente dificuldade de mobilizar as pessoas, em muitos lugares, resulta da dificuldade que elas têm para compreender a conjuntura política e econômica. Há pessoas pobres pensando que um eventual governo da oposição melhoria bastante suas vidas.

O necessário esclarecimento se faz nos grupos sociais de que se participa, sejam eles virtuais ou não, reproduzindo a palavra de gente sensata que tenha se pronunciado sobre o assunto e, claro, apresentando as próprias convicções.

Em pouco tempo, podemos ter uma sociedade vacinada contra certas tentativas da oposição, no sentido de construir atalhos para chegar ao poder. A malsucedida luta em curso pelo impeachment não passa disso: artimanha da oposição inconformada com a derrota nas urnas, e é isto que o povo brasileiro precisa entender.

O mérito de Ciro Gomes, nesse campo, tenha ele as intenções políticas que tiver, é justamente o de ter aparecido em rede nacional, sucessivas vezes ultimamente, sem meias palavras, para dizer o seguinte: “Ninguém acusa Dilma de um crime de corrupção, nem nada, a acusação é de que ela mandou a Caixa Econômica pagar o Bolsa Família, para pagar depois, o que Fernando Henrique fez por oito anos, Lula fez por oito anos e o Tribunal de Contas nunca disse nada.”

Agora ficam oposicionistas de renome, a pretexto de combaterem a corrupção, fazendo contorcionismos jurídicos para colocar na cabeça da população menos instruída que há erro grave da parte da presidente e que retirá-la a qualquer custo do poder iria melhorar significativamente o país.

Imaginem o leitor, a leitora, entregar o Brasil para ser governado por um “parceiro íntimo de Eduardo Cunha em tudo e por tudo”. É assim que Ciro Gomes o classifica e ele deve saber bem do que está falando, porque conhece melhor do que nós os meandros do cenário político nacional.

Mas não interessa aos detratores do governo ajudar o povo a pensar nisso. Deixam o povo pensar que haverá novas eleições ou que Aécio Neves chegará fácil à presidência, porque pensando assim certos setores da população, naturalmente insatisfeitos com as dificuldades econômicas, que são reais, compram a ideia do impeachment. Uma ideia que ensaia se concretizar, mas que já vem sofrendo o inevitável desgaste do seu descabimento evidenciado, em parte pela decisão do STF, ao desfazer o engodo da comissão mal constituída por Eduardo Cunha, em parte, pelos movimentos de trabalhadores que foram às ruas, justamente por estarem em melhores condições de compreender o que acontece em Brasília.

Cabe por isso a quem se encontra no seio dos partidos governistas ou no próprio governo vencer certa noção de que aqueles que não vão às ruas estão a favor do golpe, ou de que estes que se encontram mais engajados sejam mais patriotas ou tenham o mérito de estarem evitando o golpe quase sozinhos. Não é bem assim.

As pessoas, ao descobrirem que corrupção não escolhe partido, tornaram-se menos partidárias, por isso, atendem menos ao chamado partidário explícito e mais àqueles que falam espontaneamente, do lugar da cidadania, sem posições extremadas, que sempre apresentam um ar de sectarismo. O momento é de vencer o sectarismo religioso ou de qualquer natureza e de mobilizar o povo a partir da demonstração de como funcionam as engrenagens políticas, no momento.

A vitória contra o golpe será tanto mais eficaz quanto menos tempo perdermos para criar consciência entre as pessoas de que essa história de impeachment nada tem a ver com combate à corrupção e, pelo contrário, se viesse a se concretizar, mergulharia o país em situação insustentável.

Vamos às ruas, mas vamos também ao rádio, aos sites, aos blogs, etc. A grande mídia está engajada no golpe, mas os pequenos veículos do interior do país costumam oferecer abertura a gente sensata e é por meio destes veículos que podemos esclarecer o povo de cada microrregião, de forma a termos cidades inteiras mais conscientes e menos influenciáveis.

José Avelange Oliveira, licenciado em Letras pela Universidade Estadual da Bahia, pós-graduado em Psicopedagogia Institucional pela Universidade Cândido Mendes.



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