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quinta-feira, 27 de outubro de 2016 21:31

A última brincadeira – Dom Itamar Vian

O programa virtual permite aos internautas gravar uma mensagem de despedida com vídeo e texto para ser publicado na rede social só após a morte de cada um deles

Um concurso lançado por uma  empresa israelense pode ser sua última chance de tornar-se célebre. Para participar, o usuário da Internet precisa gravar um vídeo para ser exibido após sua morte. Nos primeiros dias, cerca de duas mil pessoas se inscreveram. O primeiro que morrer, entre todos os inscritos, terá o testemunho publicado em sites e portais de todo o mundo.

O programa virtual permite aos internautas gravar uma mensagem de despedida  com vídeo e texto para ser publicado na rede social só após a morte de cada um deles.  O regulamento  prevê que  o vídeo não será publicado em caso de  suicídio ou quando interferências visando antecipar a própria morte.

Já que não podemos vencer a morte, procuramos duas maneiras de enfrentá-la. A primeira é, simplesmente, esquecê-la. Fazer de  conta que ela não existe. A segunda maneira é tentar brincar com ela. Esta  opção escolhida pelo israelense Eran Alfronta.  Depois de uma vida inteira no anonimato, há os que escolhem  esta possibilidade   para uma “imortalidade” provisória  de 15 minutos, mesmo eles estando ausentes.

A morte é uma coisa séria. Sua sombra costuma pairar sobre as pessoas, sobretudo a partir de certa idade.  A vida pode ser definida como um aprendizado para a morte. Aprender a morrer é tarefa pessoal e  irrepetível.  Mas antes disso, precisamos aprender a viver. O tempo é um dom de Deus e nos é dado para nosso amadurecimento. Viver bem é a melhor maneira de preparar a morte. Mesmo assim, a morte se constitui no momento mais privilegiado da vida.

Na visão apenas humana, a morte é um absurdo. Temos ânsia de viver para sempre e somos finitos. A visão da fé nos abre horizontes novos. Depois da morte há um  Pai de braços abertos para acolher seus filhos. Neste sentido, a morte é um novo nascimento.  Os primeiros cristãos, colocavam na sepultura o dia do nascimento, mas não nascimento para o mundo, mas o nascimento para a eternidade.

A morte tornará definitivo, não os últimos quinze minutos, mas nosso projeto de vida. É o apito final  e vale o resultado do jogo. Mas é um jogo de cartas marcadas. Cristo morreu por nós, dando-nos a condição de ressuscitados.  São Paulo proclama: vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor ( Rm 14,8). Na celebração do Dia de Finados – 02 de novembro – é bom meditar essas verdades.

+ Itamar Vian

Arcebispo Emérito

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