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sábado, 19 de novembro de 2016 10:59

De saída do governo, ex-ministro acusa Geddel de pressão para liberar obra

Marcelo Calero disse que foi pressionado por Geddel a produzir parecer técnico para aprovar imóvel na Ladeira da Barra

Marcelo Calero não resistiu a 'pressão' de Gedeel

Marcelo Calero não resistiu a ‘pressão’ de Gedeel

O ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, disse em entrevista à Folha de S. Paulo que foi pressionado por Geddel Vieira Lima a produzir parecer técnico para que aprovasse um imóvel na Ladeira da Barra, em Salvador. Calero pediu demissão do cargo na sexta-feira (18). O deputado Roberto Freire (PPS-SP) assume o Ministério.

“Entendi que tinha contrariado de maneira muito contundente um interesse máximo de um dos homens fortes do governo”, afirmou.

O ex-ministro disse que, pouco mais de um mês após tomar posse, recebeu ligação de Geddel pedindo para que interferisse no processo de liberação junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão subordinado à Cultura.
“Até que, no dia 28 de outubro, uma sexta-feira, por volta de 20h30, recebo uma ligação do ministro Geddel dizendo que o Iphan estava demorando muito a homologar a decisão do Iphan da Bahia”, disse Calero. “Ele pede minha interferência para que isso acontecesse, não só por conta da segurança jurídica, mas também porque ele tem um apartamento naquele empreendimento. Ele disse: ‘E aí, como é que eu fico nessa história?'”, completou Calero.
O agora ex-ministro disse que teve medo de ter o telefone grampeado. “Eu fiquei surpreendido, porque me pareceu —não sei se estou sendo muito ingênuo— tão absurdo o ministro me ligar determinando que eu liberasse um empreendimento no qual ele tinha um imóvel. Você fica atônito. Veio à minha cabeça: “Gente, esse cara é louco, pode estar grampeado e vai me envolver em rolo, pelo amor de Deus”. O ministro Geddel tem uma forma de contato muito truculenta e assertiva, para dizer o mínimo”, disse.

Ao blog do jornalista Gerson Camarotti, Geddel negou que tenha tido desentendimento com Marcelo Callero. “A última vez que nos encontramos, falamos rapidamente. Estava saindo do jantar com senadores no Palácio da Alvorada e ele estava chegando. Não há qualquer desentendimento”, disse o ministro da Secretaria de Governo.

Calero na pasta

Calero assumiu o Ministério da Cultura em maio, depois da pasta ter sido extinta e vinculada à Educação. Logo, no entanto, Temer voltou atrás e a pasta voltou a ter autonomia. Em junho, o ministro se envolveu em polêmica ao criticar os responsáveis por “Aquarius”, que protestaram contra o impeachment de Dilma durante o festival de Cannes. “Eu acho muito ruim. Como qualquer manifestação, tem que ser respeitada, isso está fora de questionamento. Agora, acho ruim, em nome de um posicionamento político pessoal, causar prejuízos à reputação e à imagem do Brasil”, disse na época.

Atriz do filme, Sônia Braga publicou uma resposta. “Como pode um ministro dizer que um ato democrático como o nosso é a representação de um País inteiro?”, indagou Sônia. “Isso é desconhecimento do que significa plena democracia. Se estivéssemos falando em nome de todos não precisaríamos, evidentemente, fazer o ato. Uma coisa é certa: estamos juntos.”

Fonte: Correio24horas



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