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segunda-feira, 14 de novembro de 2016 08:58

Quadrilha ditava gabarito de prova do Enem em menos de 7 minutos

14 pessoas foram presas; um dos candidatos foi flagrado com o tema e o texto da redação pronto para ser transcrito

Um grupo que vazou o gabarito de provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza do Exame Nacional de Ensino Médio foi descoberto em investigações conjuntas feitas pela Polícia Federal e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. A ação, divulgada no programa “Fantástico” deste domingo, 14, mostra integrantes da quadrilha informando as respostas para candidatos, por meio de um ponto eletrônico. Todo o gabarito de Ciências da Natureza foi ditado em menos de 7 minutos.

O ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que as fraudes descobertas não colocam em risco o Enem. “O calendário está mantido. As fraudes são resultado de uma ação de inteligência articulada entre Polícia Federal e Inep. Os responsáveis serão punidos e os candidatos envolvidos na ação fraudulenta, excluídos.” De acordo com o delegado que conduziu as investigações, Marcelo Freitas, a quadrilha teria uma atuação em 3 Estados. Duas pessoas foram presas.

O pagamento pelo gabarito variava entre R$ 40 mil e R$ 50 mil. De acordo com a denúncia, um dos candidatos dispostos a fraudar o Enem foi Antonio Rodrigues, do Ceará, que disputava uma vaga de Medicina. Esta é a segundo vazamento divulgado no exame deste ano. Semana passada, foram identificadas fraudes no Amapá e Ceará.

Na operação, 14 pessoas foram presas. Com um dos candidatos foram encontrados o tema e o texto da redação pronto para ser transcrito. Esse mesmo candidato recebeu o gabarito por celular. A exemplo da fraude divulgada nesta semana, o candidato também recebeu o gabarito por meio de um ponto eletrônico. As investigações da PF e Inep estão concentradas em dois grupos, cuja atuação ocorre na região Norte e Nordeste. Os grupos estão sendo acompanhados já há alguns meses.

De acordo com integrantes do Inep, a estratégia consistia em acompanhar os grupos suspeitos até a prova, para que fosse possível realizar o flagrante. Essa forma de ação também possibilitou investigadores a chegarem a outras pessoas envolvidas, não apenas os executores. As investigações levam também a fraudes ocorridas em outras edições do Enem.

Está prevista para esta semana uma operação para cancelar a matrícula de um estudante de Medicina que teria também fraudado o exame. O aluno, que ingressou no curso por meio do Sisu, teria tido um desempenho medíocre ao longo do ensino médio e básico, destoando do desempenho que ele obteve durante o Enem.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, o estudante estaria agora cursando Medicina em uma faculdade da região Sudeste. Em nota, o Inep informou que operações deflagradas no fim de semana do Enem são reflexo da ação conjunta entre as instituições, que trabalham em parceria para garantir a segurança e a lisura do certame. “O INEP e a PF reiteram o empenho para apurar os fatos, para que não haja prejuízo aos participantes do ENEM 2016. A investigação está em andamento para que os casos sejam apurados e os envolvidos punidos e eliminados do Exame”, conclui o texto.

Lígia Formenti * Estadão Conteúdo



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