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terça-feira, 31 de outubro de 2017 14:18

Monte Santo – Romeiros de vários estados do Nordeste pagam promessas na Serra da Santa Cruz

Tradição teve inicio entre os dias 31 de outubro e 1º de novembro de 1775

Muita gente prefere vistar o município no Dia de Todos os Santos para pagar promessas | Foto: Raimundo Mascarenhas

O dia consagrado a todos os santos segundo a igreja católica é 1º de Novembro, e o município de Monte Santo no alto sertão baiano promove a mais tradicional festa do estado da Bahia e uma das maiores do Brasil. Desde as primeiras horas desta terça-feira,31/10 varias caravanas chegaram à cidade para participarem das missas, pagarem promessas e participarem da festa profana que acontece na Praça de Eventos.

Desde as primeiras horas de hoje vem acontecendo confissões e intercalando com missas, e enquanto isso milhares de romeiros aproveitam para subir a Serra de Santa Cruz, que possuiu extensão de 3km de distancia. Os romeiros sobem a serra de forma lenta, pois a rapidez pode ocasionar no cansaço mais rápido e acaba ficando pelo caminho. Os peregrinos aproveitam para acender velas e depositar suas ofertas nas quatorze capelas correspondentes a todo o percurso até o topo. No alto da santa cruz existe uma igreja onde são celebradas as missas. Do alto da Santa Cruz as pessoas aproveitam para registrar por fotos ou imagens um belo e infinito cartão postal.

História das homenagens a todos os santos

Em outubro de 1775, o Capuchinho Frei Apolônio de Todd se encontrava na Aldeia Indígena de Massacará (hoje situada no Município de Euclides da Cunha), foi convidado pelo Fazendeiro Francisco da Costa Torres, para realizar uma Missão na Fazenda Lagoa da Onça, ali chegando deparou com uma grande Seca e devido a escassez de água no local, não realizou a Missão, decidiu seguir para o logradouro de gado denominado Piquaraçá, onde existia um “Olho d”água em abundância conhecido atualmente como “Fonte da Mangueira”, localizado no sopé da serra.

Romeiros percorrem mais de 3 km até o topo da serra onde está edificada uma igreja | Foto: Arquivo Raimundo Mascarenhas

Frei Apolônio ao apreciar a serra ficou impressionado com a semelhança com o Monte Calvário de Jerusalém e convidou os fiéis que o acompanhava para transformar o Monte em um “Sacro-Monte”, marcando seu dorso com os passos da Paixão, Mandou tirar madeiras e armar uma capelinha para a Missão, ordenou que fizessem Cruzes para a Procissão rumo ao pico do monte; A cada parada fincavam as cruzes com espaços regulares na seguinte ordem: A primeira dedicada às almas, as sete seguintes representado as dores de Nossa Senhora e as quatorze restantes lembrando o sofrimento de Jesus em sua caminhada para o Monte calvário em Jerusalém.

A fé supera o cansaço na subida da Serra de Santa Cruz

Contam que quando os fiéis subiam ao monte um forte furacão surgiu e o Frei pediu que invocassem o Senhor Jesus e o furacão cessou, Adiante apareceu um forte Arco-íris que pairava onde estavam as cruzes de madeira, como se quisesse dizer que ali deveriam ser construídas as Capelas e parou onde deveria ser construída a Capela maior, a de Santa Cruz. Isso era 31 de Outubro para 1º de novembro de 1775 e o frei pediu que aquele local não mais fosse chamado de Serra do Piquaraçá, assim chamado devido uma planta nativa, e em abundância “Araçá”, mas que passassem a chamá-lo de Monte Santo, e partiu pedindo a todos que construíssem capelas e visitassem sempre as santas cruzes.

Em todas as 14 capelas os romeiros acendem velas

E assim os fies construíram as capelas, as menores e a de tamanho médio, a do Senhor dos Passos, a de Nossa Senhora das Dores e, sendo a maior no final do trajeto de aproximadamente 04km da sede, a capela de Santa Cruz onde ficam as Imagens de Nosso Senhor Morto, Nossa Senhora da Soledade e São João Evangelista. Em 1790, devido a grande romaria e ainda o santuário não estava totalmente construído, o local foi elevado à Categoria de Freguesia por Decreto de Lisboa, recebendo o nome de Santíssimo Coração de Jesus de Nossa Senhora da Conceição de Monte Santo, sendo nomeado o seu primeiro pároco o Padre Antônio Pio de Carvalho.

Em 1794, foi criado o Distrito de Paz de Monte Santo, pertencente ao Termo da Vila de Itapicurú de Cima. Em 21 de março de 1837, por força da Lei provincial nº 51, foi o Povoado elevado à categoria de Vila, que criou também o Município, ocorrendo a inauguração em 15 de agosto do mesmo ano. O Município recebeu o nome de Coração de Jesus de Monte Santo, sendo seu primeiro prefeito o Padre José Vítor Barberino.

Monte Santo visto do inicio da serra. Imagem do topo, a sensação é extraordinária | Foto: arquivo Raimundo Mascarenhas

 

Em 28 de junho de 1850, o Distrito de Paz foi elevado à categoria de Comarca, pela Lei provincial nº 395, sendo seu primeiro Juiz de Direito o Bel. Boaventura Augusto Magalhães Taques. Em 25 de julho de 1929, a Vila foi elevada à Cidade, pela Lei Estadual nº 2.192, voltando a receber o nome de Monte Santo.

Parte profana da festa

Parte dos romeiros e vistantes após cumprir o ritual religioso participa também da parte profana da festa que acontece na Praça de Eventos. Este ano a dupla sertaneja Zézé de Camargo & Luciano está de volta depois de 8 anos,  O Evento ainda contará com as apresentações musicais do cantor Tayrone e pela primeira vez, assim como Padre Antônio Maria e a consagrada Banda Pholhas.

Redação CN



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