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segunda-feira, 13 de novembro de 2017 20:15

A peleja de N.S da Vitória com o Diabo – Jolivaldo Freitas

Era a réstia da importante e necessária Feira da Fraternidade organizada faz anos pela Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, na Graça.

Imagine uma banda que tivesse na bateria Lúcifer, na percussão Samael, no baixo Helel, na guitarra Bob Johnson, no vocal Satã e um coro de anjos decaídos e mais todos aqueles convertidos ao Demo ou que fossem o mesmo em suas várias faces: o Capitoro, o Sete capas, o Esquerdo, o Cão, o Cabrunco, o Encardido e todos os seus mais de setenta nomes. Era mais ou menos assim que eu escutava a banda – sei lá qual o nome – que tocava seus tambores como se fossem a trombeta de Jericó querendo derrubar as paredes do meu apartamento, isso em plena noite de domingo passado.

Era a réstia da importante e necessária Feira da Fraternidade organizada faz anos pela Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, na Graça. Imagine que a festa vinha desde a quinta-feira e no início o Demônio se comportou bem e os shows acabavam no horário certo da Lei do Silêncio, lá pelas 22 horas, mas o Mefisto nunca se conforma e já na sexta-feira o nível de som aumentou um pouco mais e o horário foi um pouco estendido. No sábado o Renegado já estava tomando conta do pedaço e assustando os bons samaritanos, os fiéis, os crédulos bem intencionados; o som já passava dos decibéis que os incréus da Sucom determinam que seja de 70 dBs.

Mas o domingo, ah! No domingo, o dia inteiro o som martelando. A noite chegando e eu e o povo querendo descansar, ver um filme, assistir Faustão, Fantástico, Domingo Espetacular, apreciar uma série, ler, não fazer nada, olhar a paisagem, espreguiçar, sonhar, sonar, desestressar, namorar ou dormir… Dormir que segunda-feira é dia de trabalhar cedo, de acordar cedo (pároco de hoje em dia não acorda cedo, só de vez em quando) e a banda de Belzebu agitando, tocando alto como se estivesse no Rock n´Rio, num lugar ermo, numa zona desabitada própria para shows e estava previsto terminar às 20 horas, mas artista baiano tem o Senhor das Trevas no sangue e segue a festa até quase as 23 horas e tome decibéis.

Eu, como outros moradores das imediações trancado, em casa, todas as portas, janelas, basculantes, venezianas e combongós lacrados e o som invadindo os nervos. Ligar para quem se a Sucom ou Semop nunca têm equipe suficiente para atender aos chamados, dizem sempre seus agentes, diretores, secretários e superintendentes nas entrevistas e jogam na cara das pessoas que somente este ano já foram mais de 40 mil denúncias, e até lembrei que há algum tempo uns vereadores ligados ao Demogogon, queriam  aumentar para 110 decibéis a permissão para algumas áreas da cidade e que o prefeito ACM Neto tomado pelo bafejos do Tranca-Rua ia aprovar o projeto, mas o povo que tem os poderes de Deus rechaçou.

Então lembrei que a festa além de ter um caráter social é também em homenagem à Nossa Senhora da Vitória e seu nome é um título mariano e que também vem a ser o mesmo de Nossa Senhora do Livramento e eu cheguei na varanda do meu apartamento, olhei com força e lamento para as paredes caiadas (tão mal caiadas pela construtora e incorporadora que enrolaram a todos para construção do edifício Mansão Wildberg – que dizem é um escoadouro de lavagem de dinheiro – que já estão  aparecendo as paredes do século XVI) e gritei com toda fé que nem tenho:

– Valei-nos Nossa Senhora!

E esperei que pelo menos o som baixasse e foi quando ouvi que o som baixou de repente, mas logo em seguida aumentou. Baixou de novo e aumentou. Eu pensei: Nossa Senhora mandou juízo e discernimento para o padre Luiz pároco da Igreja e para o cara que estava coordenando a festa. Mas aí de repente o som subiu demais e já não se respeitou o horário acordado e a banda continuava tocando, pasme, para algumas dezenas de pessoas, uns bêbados e uns chatos que dançavam como se não tivesse amanhã.

Pensei: Nossa Senhora da Vitória bem que tentou mas, outra vez, como em todos os últimos anos, foi derrotada. E o Cramulhão mostrando para todos nós sua malvadeza, logo depois que a Feira da Fraternidade terminou, começou a fazer arrumação dos estandes e a retirar objetos e o barulho de madeira que servia de piso para as barracas sendo jogadas, cadeiras e mesas sendo arrumadas para viagem e durou até o meio da madrugada. Minha mulher (já falecida), tinha o hábito de oferecer generosos obséquios para a Paróquia da Vitória. Já suspendi a verba. Vou usar para fugir deste lugar nos dias da feira e gastar em lugares paradisíacos e de preferência pecaminosos. Estou com o Diabo no corpo. E cheio de sono. Bem que o cardeal Murilo Krieger podia esconjurar todo mundo. Se fosse no tempo da Inquisição veriam o que faria o clérigo Heitor Furtado Mendonça. E você sabia que o anjo Lúcifer era músico, fazia parte do coral celeste, antes de decair perante o Senhor? Por isso…

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