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domingo, 04 de fevereiro de 2018 22:15

Censo Escolar aponta aumento no número de aluno do ensino em tempo integral. Em Coité a redução é de 50%, garante diretora

Segundo a diretora, no ano passado quando o Olgarina foi escolhido para atender ao ensino em tempo integral tinha matriculado um número significativo de aluno e no decorrer do ano letivo houve muita evasão por motivos diversos.

Colégio Olgarina após a implantação do ensino médio integral, está deixando de ser um dos mais procurados para matricula | Foto: Raimundo Mascarenhas

Na última quarta-feira, 31/01, foi veiculada uma reportagem na Agência Brasil dando conta que o número de aluno matriculado no ensino médio integral em todo o país aumentou 1,5 ponto percentual entre 2016 e 2017. Dados do Censo Escolar 2017 divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) apontam que 7,9% dos estudantes frequentaram essa modalidade de ensino no ano passado, contra 6,4% no ano anterior.

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De acordo com o MEC, ampliar o tempo de permanência do aluno nas escolas é um dos objetivos da chamada reforma do ensino médio, sancionada pelo presidente Michel Temer em fevereiro do ano passado. No último dia 17/01, o governo anunciou a liberação de R$ 406 milhões para o Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. O recurso será destinado às 27 unidades da federação ao longo de 2018.

Mas essa realidade por enquanto não existe no único Colégio destinado para esta modalidade de ensino em Conceição do Coité, o Olgarina Pitangueira Pinheiro, o segundo maior do município.

Diretora se diz preocupada com a baixa procura por matricula

O Calila Noticias esteve na Diretoria da escola recentemente para tentar comparar os números divulgados pelo MEC e a realidade do Olgarina e notou que a situação é completamente diferente, ou seja, enquanto o Ministério da Educação comemora, a diretora Luziana Costa da Silva Ferreira, lamenta a redução de 50% de alunos matriculados este ano, em comparação com 2017.

Segundo a diretora, no ano passado quando o Olgarina foi escolhido para atender ao ensino em tempo integral tinha matriculado um número significativo de aluno e no decorrer do ano letivo houve muita evasão, porque muitos pais de alunos disseram que os filhos não poderiam ficar por muito tempo na escola. Outros, residentes na zona rural tiveram que desistir por falta de transporte.

Ouça abaixo a entrevista concedida pela diretora ao Calila News.

Clique e ouça a entrevista

O Calila teve acesso ao oficio encaminhado ao secretário de Educação Walter Pinheiro, que busca, quem sabe, mesclar a forma de ensino, pois, a diretora teme até mesmo o fechamento da escola, já que a unidade que formou cinco turmas, este ano conseguiu formar apenas uma e com dificuldade.

Veja o apelo feito pela diretora na íntegra

CONCEIÇÃO DO COITÉ, 19 DE JANEIRO DE 2018

Ofício nº 08/2018

Excelentíssimo Sr. Secretário Estadual de Educação
Valter Pinheiro

Prezado Sr.

O Colégio Olgarina Pitangueira Pinheiro atende alunos oriundos de vários bairros da cidade, também do espaço rural. Até o ano de 2016 oferecia Ensino Médio Regular, nos três turnos e EJA ( Educação de Jovens e Adultos), no turno noturno. No início de 2017, por determinação da Secretaria de Educação do Estado, passou a oferecer Ensino Médio Integral nos turnos matutino e vespertino e as outras modalidades no noturno, inclusive o médio regular.
Sabe-se que uma das metas do estado é oferecer educação em tempo integral, a fim de atender alunos da educação básica, no intuito de fomentar a qualidade do ensino e melhorar os índices educacionais. Ainda, reconhecendo que a proposta é importante para a melhoria da educação, entende-se que o projeto é bem elaborado e inovador, e que este governo prima pela qualidade de ensino. Contudo, em virtude dos pais precisarem se ausentar de suas casas para trabalhar, necessitam da ajuda de seus filhos para cuidar dos menores ou até mesmo dos afazeres domésticos, e no terceiro ano já são estimulados a trabalhar em dos turnos para complementar a renda familiar. Em virtude disto, muitos pais solicitaram transferência dos filhos no decorrer do ano letivo de 2017, ainda solicitam este ano, chegando a uma média de 50% de transferidos. Vê-se que houve uma redução na matrícula, pois formávamos em média cinco turmas de primeiro ano e hoje com dificuldade conseguimos formar apenas uma. Também como justificativa, pais e responsáveis alegam uma carga horária extensa; mesmo gostando do trabalho oferecido pelo colégio, diz ser inviável. Como prova, há uma maior procura em outros estabelecimentos de ensino de nossa cidade, vez que não oferecerão a modalidade ora oferecida pelo colégio supra citado.

Preocupados em atender a procura, em satisfazer e atender as famílias mais carentes, em continuar usufruindo de um dos estabelecimentos mais organizados da cidade, em prosseguir oferecendo uma educação que cumpra os parâmetros nacionais, e, que o alunado seja orientado ao seu máximo desenvolvimento pessoal e social é que a comunidade Olgarina, moradores do bairro, moradores do espaço rural e outros, representada pelo Colegiado Escolar, solicitam de Vossa Excelência que torne a oferecer o Ensino Médio Regular neste estabelecimento de ensino no diurno ainda no ano de 2018, mesmo que continuemos coma Educação de Tempo Integral.
Cientes que nosso pedido será analisado e atendido, agradecemos antecipadamente.

Redação CN

 

 



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