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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018 14:57

Na popa da bunda e as inimigas – Jolivaldo Freitas

Gosto demais da música baiana, do ritmo é claro, pois insisto que as letras são medíocres.

Jolivaldo Freitas

A música baiana é danada. Todo ano tem um sucesso que todo mundo gosta e todos dançam. Mas, outro dia fui falar na Metrópole, ao vivo, que as letras são grotescas e quase que sou esganado, embora o público-ouvinte sempre se divida, uns me execrando e outros execrando quem me execra e fazer rádio é bom por isso, pois é divertido, engraçado e participativo. Joga a bomba e as facções se engalfinham.

Mas eu disse que gosto demais da música baiana, do ritmo é claro, pois insisto que as letras são medíocres. E quem acha que tem letra bonita, na verdade não é muito exigente. Eu fiquei com receio de algum ouvinte me perguntar qual o tipo de música que gosto, pois se respondesse que sou “bitolado” em jazz, bossa e blues, iriam dizer que sou boçal, elitista, anti-baiano, anti-povão, coisa que não sou pois gosto de algumas bobagens, como músicas antigas de Roberto Carlos, do tempo da Jovem Guarda. Ainda gosto de Gonzaguinha, Ivan Lins, o trabalho antigo de Caetano Veloso e o mesmo de Gil, as atuais músicas de Chico Buarque e Tomzé. Gosto das letras de Batatinha, Ederaldo Gentil, Cascadura e tantos outros. Lógico que quando digo que a música baiana não tem letra que preste, falo da maioria, pois Gerônimo tem músicas legais e lembro que poeta mesmo eraVevé Calazans. Temos Waltinho Queiróz resistindo firme e forte.

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Mas, é bom lembrar também que na época do sucesso do samba baiano, nem tudo era ouro ou madeira. Batatinha, Ederaldo, Nelson Sargento e mais alguns faziam samba com letras bonitas. Mas, a maioria era samba com letra em, que se rimava caruru com mulungu. Este ano soube que o grande sucesso do Carnaval foi a música “Popa da Bunda”. Fui bisbilhotar e quase piro de vez. Para fazer esta música foi preciso a “inspiração” de quatro ou cinco compositores. Muita gente. Deve ter sido um sufoco burilar a letra. Mas gosto do ritmo. Mas não pense que somente a música baiana é pobre de letra. Já parou para ouvir as de Anita, de Pablo, de Ludmila e de todos os MCs cariocas? Você já parou para ouvir as letras da maioria dos frevos pernambucanos? E as músicas pops maranhenses?

Desde as letras de Pena Branca e Xavantinho que não vejo nada interessante no gênero sertanejo. Agora, já prestastes a atenção como nas músicas lacradoras, os funks e outros sucessos cantados por mulheres elas sempre citam as inimigas. Parece que toda mulher está cheia de inimigas, falsianes e invejosas. Beijinho no ombro. Vou ali ouvir Catulo da Paixão Cearense, Zeca Baleiro e Baiana System.

Escritor e jornalista: [email protected]

 

 



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