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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018 12:53

Operação da Polícia Federal investiga campanha de Rui Costa

PF diz que parte da propina a Jaques Wagner foi paga através de doações para campanha de Rui

Ato que Rui empossou Wagner na Secretaria de Desenvolvimento Econômico

Alvo de denúncias no âmbito da Lava Jato, a campanha do governador Rui Costa (PT) em 2014 entrou no rol das investigações conduzidas pela Operação Cartão Vermelho, deflagrada pela Polícia Federal (PF), segunda (26), para apurar suspeitas de superfaturamento na obras da Arena Fonte Nova. Segundo a PF, parte da propina ao ex-governador Jaques Wagner (PT), foi paga através de doações para a campanha de Rui registradas na Justiça Eleitoral.

As investigações realizadas até agora apontam que o Grupo Petrópolis, dono da cervejaria Itaipava, fez doações declaradas de R$ 3,5 milhões, a pedido da Odebrecht, para o então candidato petista. A polícia investiga, no âmbito da operação, se mais recursos foram usados para irrigar campanhas na sucessão de 2014.

Wagner nega recebimento de propina e doações ilegais na campanha. A soma integra os R$ 82 milhões que, segundo a PF, foram pagos pela Odebrecht e OAS a Wagner, por meio de superfaturamento do contrato firmado com as empresas para as obras da Fonte Nova.

O Grupo Petrópolis é parceiro da Fonte Nova Participações (FNP), consórcio que administra o estádio e, além de ter exclusividade na venda de bebidas, ganhou direito a utilizar a marca Itaipava no nome da arena construída para a Copa de 2014.

Rui, contudo, não é investigado pela operação. Segundo a PF, os acordos para pagamento de propina teriam sido conduzidos por Wagner. As investigações começaram em 2013 e ouviram pessoas ligadas ao ex-governador e que participaram da gestão dele, de acordo com o superintendente regional da Polícia Federal na Bahia, o delegado Daniel Justo Madruga.

Entre as pessoas já interrogadas pela Cartão Vermelho, estão ex-secretários. “Estas pessoas foram ouvidas ao longo das investigações. Foi afunilando até chegar ao ex-governador”, explicou Madruga.

A operação chegou à campanha de 2014 após delação do executivo Marcelo Odebrecht. Ele teria afirmado que somente doaria para a campanha de Rui em 2014 caso pendências da Fonte Nova e da Companhia de Engenharia e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb) fossem resolvidas.

Com a Cerb, havia um dívida milionária com pagamento determinado pela Justiça. O acordo, segundo a PF, envolveu o pagamento do débito e um aditivo de R$ 90 milhões sobre as obras da Fonte Nova. Em seguida, as doações foram feitas para a campanha de 2014.

De acordo com a PF, as intervenções na Fonte Nova geraram superfaturamento que, em valores corrigidos, chega a R$ 450 milhões. A Odebrecht informou, por nota, que está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Diz ainda que “já reconheceu seus erros, pediu desculpas públicas, assinou acordos de leniência e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em todas as suas formas”.

Também são alvo da operação o secretário estadual da Casa Civil, Bruno Dauster, e o empresário Carlos Daltro. Os três estão indiciados pela PF. Foram apreendidos documentos, celulares, notebooks e 15 relógios de Wagner.

Ontem, a bancada de oposição na Assembleia começou a articular apoio à uma CPI para apurar as irregularidades na Fonte Nova. Novo líder do grupo, o deputado Luciano Ribeiro (DEM) começou a colher assinaturas. São necessárias 21.

Fonte: Correio



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