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sexta-feira, 12 de outubro de 2018 22:54

Estados Unidos do Nordeste – Jolivaldo Freitas

Um país como os Estados Unidos do Nordeste teria uma população de mais de 60 milhões de habitantes, maior que a imensa maioria dos países europeus.

Jolivaldo Freitas

Recebi dentre tantos e-mails e zaps que recebo e fico procurando saber onde o povo que não conheço consegue meus contatos e onde garimpa, um que me chamou a atenção pelo que se propõe a fazer o missivista, coisa que acredito não ser lá essa novidade toda no Brasil, mas que me surpreendeu. O moço disse que está na hora e vai começar uma campanha civilista para separar a região Nordeste do resto do Brasil. Diz que dessa vez é para valer pois o Brasil não merece o sangue derramado pelo nordestino hoje e historicamente. Pode acreditar e ele está cheio de argumentos e com tanta certeza que vai dar certo que nem ousei responder ao envio e me fiz de morto, quietinho; paisagem nordestina.

Dentre tantos argumentos usados por ele seleciono alguns, pois ele começa dizendo que o Brasil teve início na Bahia – que antigamente era geograficamente Leste Setentrional, mas mudou para o Nordeste nos anos 1960 por força política – e que desde o século XVI foi responsável por abastecer de alimento o resto do país e a sustentar com seus engenhos de cana de açúcar, com o ouro de das suas minas, o fumo, a mandioca e o gado um país dependente e ainda um coroa europeia.

O moço lembra que o Sudeste deve bastante ao Nordeste uma vez que foi a mão de obra nordestina que ajudou a fazer São Paulo o que é, com toda sua pujança industrial e econômica e também a moldar o estilo de cidade que hoje é e ele lembra que muitos dos que têm preconceito contra o nordestino são netos de nordestino, mas acha que sua origem é suíça.

O rapaz observa que a cultura do Brasil deve muito a Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, Ruy Barbosa, José de Alencar, Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Chico Anísio, João Cabral de Melo Neto, Augusto dos Anjos e tantos e tantos e até nas novelas como as escritas pelo baiano Dias Gomes.

Cita que historicamente foi o Nordeste que enfrentou o jugo português durante séculos até que o Brasil fosse libertado e lembra as lutas pernambucanas, as do Pará, do Ceará e notadamente o 2 de julho na Bahia, que sem ele os portugueses tinham continuado por aqui pois os sulistas não conseguiram tomar rédea no sete de setembro de 1922 e foi preciso que os baianos colocassem para correr as forças portuguesas com o rabo entre as pernas em 1923.

Com relação à população revela que um país como os Estados Unidos do Nordeste teria uma população de mais de 60 milhões de habitantes, maior que a imensa maioria dos países europeus. Que o possui nove estados numa área de quase 19 por cento do território brasileiro. Sobre a economia do novo país, é a terceira em relação ao Brasil inteiro de hoje, com grandes portos e grande crescimento, com regiões industriais, polos agrícolas como o Oeste da Bahia ou o Pólo Petroquímico de Camaçari, de Recife e outros.

E lembra que o novo país, o Nordeste iria ganhar muito dinheiro, fortalecer a economia justamente com a vinda do pessoal do Sul, Sudeste e Centro-Sul para curtis as belezas naturais e fez questão de colocar entre aspas: “pagando até para entrar pelas fronteiras”.

Está todo mundo louco. Olha que Dom Pedro II e José Bonifácio sofreram para unir o país. Devem estar se revirando na tumba. Loucos para um basta.



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