cultura

segunda-feira, 26 de novembro de 2018 10:33

‘ Mandacaru quando fulora na seca, é o sinal que a chuva chega ao sertão’ o CN constatou isto no Distrito de Riacho da Onça

No ser-tão sofrido pelas longas estiagens o que não falta é crença em diversos exemplos de indicativo da chegada das chuvas, está da flor do mandacaru ficou famosa na musica do Gonzagão.

Mandacaru é considerado a planta mais resistente a seca | Foto: Teones Araújo

“Mandacaru quando fulora na seca, é o sinal que a chuva chega no sertão”, assim começa uma das composições de Luiz Gonzaga, Xote das Meninas, regravada depois por Dominguinhos. Esta realidade foi observada pela equipe do CN que visitou na manhã de domingo (25) a região do Distrito de Coronel João Borges, mais conhecido como Riacho da Onça, município de Queimadas, território do sisal.

Sem chover há meses os moradores daquele Distrito e das comunidades do entorno em que os mandacarus são comuns associam a sua floração com a chegada da chuva, e ainda que pouca para amenizar o sofrimento das pessoas e dos animais, chegou nas primeiras horas de domingo.

Valdemi de Assis conversa com camponeses da localidade de Riacho da Onça que reforçam que quando chega o flor do mandacaru a chuva vem junto | Foto: Teones Araújo

Até o cantor e compositor Luiz Gonzaga já consagrou essa associação em uma das suas músicas mais conhecidas e os mandacarus com suas flores podem ser observado em toda região, em especial na fazenda Empoeira que fica a 25 km de Santaluz, as margens da estrada que liga a sede daquele município ao Distrito do Pereira.

Luiz Gonzaga gravou Xote de Menina que traz na letra a flor do mandacaru o prenuncio da chegada das chuvas no sertão

As flores do mandacaru são exuberantes e possuem a cor branca e medem cerca de 30 cm de comprimento, mas o mais interessante é o seu tempo de vida, elas florescem uma vez por ano, geralmente no meio da primavera, e dura apenas uma noite, segundo a dona de casa Maria Oliveira Silva, 65 anos, residente na Fazenda Jurubeba.

Zé Branco disse que a flor só cai depois que as chuvas caem sobre ela | Foto: Teones Araújo

O aposentado José Lopes Lima, conhecido por Zé Branco, 72 anos, residente na Fazenda Alto Bonito, tem opinião diferente de Dona Maria Oliveira e garante que a flor só cai com as chuvas.

José Neres Carneiro Cordeiro, 64 anos, residente no Riacho da Onça, disse que a lenda dos seus pais e avôs continua e não falha, “pode vê, é só sair à flor e logo chove”. “Seu” Zé Nery estava comprando um chapéu na barraca do jovem feirante Micael Sena, 21 anos, residente em Capim Grosso e seis anos comercializa de quinze em quinze dias aos domingos quando acontece a feira-livre no distrito.Micael Sena acredita fielmente nesta lenda e “cresceu” vendo seus avôs e seus pais falar sobre isso.

José Neres diz que ouviu essa crença dos seus pais e avós, e nota que até hoje acontece | Foto: Teones Araújo

O Mandacaru é uma espécie de cacto símbolo do Sertão, nativo do Brasil e muito comum nas regiões semi-áridas e se adapta facilmente às condições de onde vive, sobrevivendo às secas por conta da sua capacidade de captar e reter água em suas ramificações cheias de espinhos.

A identificação do mandacaru com o povo nordestino e sua cultura não está somente relacionada aos períodos de estiagem. Por apresentar características como durabilidade, adaptabilidade e beleza, se identifica ainda através do folclore popular por conta da sua resistência em áreas consideradas de difícil sobrevivência.

Outra crença

Além do mandacaru, a agricultora familiar Lúcia Jesus da Silva, 39 anos, falou que na quarta-feira, dia 21, ouviu uma seriema cantar ao meio-dia e “quando ela canta neste horário, pode esperar que a chuva chega com três dias e realmente choveu, fino, mais choveu”,(risos).

Maria Lúcia tem esperança que a chuva se aproxima pelo canto da seriema | Foto: Teones Araújo

Uma das características mais marcante desta ave é o canto que se assemelha muito a uma risada, podendo ser ouvido a mais de um quilômetro e essa sonorização é correlacionada através do conhecimento popular aos fenômenos meteorológicos, alimentando a crença quando cantam no início da manhã é indicativo de dia muito quente ou, até mesmo, em outras ocasiões, seu canto pode ser interpretado como um sinal da chegada das chuvas.

 



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