O Brasil registrou uma redução de mais de 1 milhão de alunos na educação básica entre 2024 e 2025, segundo dados do Censo Escolar divulgados nesta quinta-feira (26). O número representa a maior queda no total de matrículas dos últimos 20 anos.
De acordo com o levantamento do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o país passou de pouco mais de 47 milhões de estudantes em 2024 para cerca de 46 milhões em 2025, uma redução de 2,29%, equivalente a aproximadamente 1,08 milhão de matrículas a menos.
A diminuição foi registrada em praticamente todas as etapas da educação básica, tanto nas redes públicas quanto privadas.
Queda tem explicações demográficas e educacionais
Especialistas apontam que o principal fator para a redução é a chamada transição demográfica, ou seja, a diminuição do número de crianças e jovens em idade escolar no Brasil.
Dados também indicam queda na população mais jovem nos últimos anos, o que impacta diretamente no número de matrículas, especialmente na educação infantil.
Outro fator relevante é a melhora no fluxo escolar. Com menos reprovações e redução da distorção entre idade e série, os alunos permanecem menos tempo no sistema, o que também contribui para a diminuição do total de estudantes matriculados.
Indicadores apontam avanços no acesso
Apesar da queda, o MEC avalia que os dados não indicam retrocesso no acesso à educação. Pelo contrário, há sinais de avanço, como a quase universalização do ensino na faixa obrigatória.
Entre crianças e adolescentes de 4 a 17 anos, a taxa de frequência escolar já ultrapassa 97%, enquanto no ensino fundamental chega a cerca de 99,5%, indicando que praticamente todos estão na escola.
Além disso, houve redução significativa na distorção idade-série, especialmente no ensino médio, onde o índice caiu de forma expressiva nos últimos anos.
Desafio agora é melhorar a qualidade
Com menos alunos no sistema, especialistas apontam que o Brasil vive uma oportunidade de investir mais por estudante. A avaliação é que o foco da educação brasileira deve migrar da ampliação do acesso para a melhoria da qualidade do ensino e redução das desigualdades.
Ainda assim, desafios persistem, como a ampliação de vagas em creches e a garantia de permanência dos estudantes, principalmente nas etapas iniciais e no ensino médio.




