O cenário político na Bahia segue em ebulição às vésperas do fim da janela partidária, e mais uma movimentação pode mexer com a base do governo estadual. O deputado federal Joseildo Ramos, que obteve cerca de 104 mil votos nas eleições de 2022, deve deixar o Partido dos Trabalhadores (PT).
A informação, confirmada por fontes ligadas aos bastidores da política baiana, aponta que o destino mais provável do parlamentar é o Avante, embora outras legendas como PSB e PSD também acompanhem de perto a movimentação.
A possível saída ocorre em meio a uma suposta crise interna no PT, agravada após as recentes mudanças promovidas pelo governador Jerônimo Rodrigues no primeiro escalão. As alterações tiveram como foco o reposicionamento político visando as eleições de 2026, mas acabaram provocando forte desgaste dentro da base governista.
O epicentro da crise está na Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). A saída de Osni Cardoso, no início de abril, para reassumir seu mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), abriu espaço para uma recomposição na pasta que não agradou a todos os setores do partido.
A condução da escolha do substituto pelo governador, sem amplo diálogo com as correntes internas, gerou reação imediata dentro do PT. Lideranças partidárias apontam quebra de acordos e desrespeito à correlação de forças da legenda, o que acentuou o clima de insatisfação.
Joseildo Ramos, considerado um dos quadros históricos do partido, está entre os mais incomodados com a situação. A avaliação nos bastidores é de que o deputado foi diretamente atingido pela reconfiguração da SDR e pelo enfraquecimento de seu grupo político dentro da estrutura do governo.

Além disso, outro fator decisivo para a possível mudança de partido foi a movimentação da ex-prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, que se filiou recentemente ao MDB com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara Federal.
Joseildo e Moema fazem parte da mesma militância dentro do PT, integrando um mesmo segmento interno do partido. Com a saída da ex-prefeita e a reorganização desse grupo político, houve impacto direto no planejamento eleitoral do deputado, que passou a avaliar novos caminhos fora da legenda.
Nos bastidores, a avaliação é de que a saída do parlamentar pode ser concretizada até este sábado (4), prazo final da janela partidária. Caso se confirme, será mais um capítulo de uma suposta crise interna que já vem sendo descrita por interlocutores como uma das mais delicadas dos últimos anos dentro do PT baiano.
Se a saída de Joseildo Ramos for concretizada, o partido poderá registrar a debandada de três nomes históricos em um curto intervalo de tempo. Além dele, já deixaram a legenda Elisângela Araújo e Moema Gramacho. Os três passam a se movimentar no cenário político com foco na disputa por vagas na Câmara Federal nas eleições de 2026, ampliando o impacto da crise interna sobre o futuro do PT na Bahia.
Mesmo sendo o partido que entra na fase pré-eleitoral com maior estrutura política — com a indicação do candidato ao governo do Estado, participação na definição dos dois candidatos ao Senado e o maior número de nomes na chapa proporcional — o PT vive um cenário de instabilidade interna. A legenda acumula crises políticas em suas correntes, sendo hoje o único partido com conflitos internos dessa magnitude no estado. Nos bastidores, a leitura é de que, enquanto lideranças deixam a sigla, nenhuma movimentação relevante de entrada foi registrada, reforçando o momento delicado vivido pelo partido na Bahia.



