A 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CEDRSS) foi encerrada na sexta-feira (30), em Feira de Santana, após três dias de intensos debates, escuta qualificada e construção coletiva sobre os rumos das políticas públicas voltadas ao rural baiano. O evento reuniu representantes de todos os territórios da Bahia e consolidou propostas estratégicas para o presente e o futuro do campo.
No ato de encerramento, o secretário de Desenvolvimento Rural e presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRS), Osni Cardoso, destacou o caráter histórico do momento e a importância da retomada do processo conferencial após mais de uma década. “Encerramos esse encontro com um sentimento de retomada e compromisso. É uma pausa de 13 anos que termina, reunindo os territórios para construir propostas para o presente e o futuro do campo”, afirmou.

O secretário também ressaltou a força do processo coletivo construído ao longo da conferência. “A eleição dos delegados e delegadas e as construções de propostas mostram a força da nossa gente. Saímos daqui com diretrizes que podem atravessar todo o rural baiano e ganhar dimensão nacional. O que foi construído aponta caminhos concretos para fortalecer a agricultura familiar, ampliar oportunidades e garantir mais dignidade para quem vive e trabalha no campo”, completou.
A CEDRSS reuniu 392 delegados territoriais, representantes de organizações sociais, gestores públicos e agricultores familiares, totalizando cerca de 700 participantes.
Três dias de construção
Durante a abertura da 3ª CEDRSS, o Governo do Estado autorizou a 2ª Chamada Pública Centralizada da Agricultura Familiar, destinando R$ 52 milhões para a aquisição de alimentos de empreendimentos rurais, destinados a abastecer unidades escolares da capital e do interior. A medida foi destacada como instrumento importante para fortalecer a comercialização da produção familiar e ampliar a renda das famílias agricultoras.

Já na quinta-feira (29), o segundo dia foi dedicado aos grupos de trabalho organizados em torno dos cinco eixos temáticos, aprofundando discussões sobre emergência climática, agroecologia, acesso à terra e à água, direitos sociais e o papel das políticas públicas para o rural. Esse processo estruturou as diretrizes e propostas consolidadas no encerramento da conferência.

Foram consolidadas 30 propostas e definidos os 58 representantes que seguirão para a etapa nacional, prevista para março de 2026. Também aconteceram as plenárias finais, que apresentaram e votaram as moções elaboradas nos grupos de trabalho, transformando os debates em encaminhamentos objetivos e em um conjunto de prioridades estratégicas para os próximos anos.
Uma das 58 representantes é a jovem Jamile dos Santos Mota, de 21 anos, do município de Ouriçangas, cuja trajetória simboliza o protagonismo da juventude rural, das mulheres e das comunidades tradicionais no processo de construção das políticas públicas para o campo.




