A Lipari Mineração, responsável pela mina Braúna III, em Nordestina, região sisaleira da Bahia, está sendo acusada de dar calote nos cerca de 160 funcionários que trabalhavam de forma direta. A informação foi confirmada na segunda-feira (9) pelo site Região em Pauta.
Segundo a apuração da reportagem, são pelo menos três graves problemas: salários de janeiro de parte dos colaboradores não depositados; rescisões contratuais ainda em aberto e parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) inadimplentes.
“Em janeiro, eles pagaram salários dos funcionários que recebiam até três mil e quinhentos reais. Os demais não foram quitados. Em fevereiro, deveria ser creditado o percentual de dias trabalhados, o que também não aconteceu”, confirmou um colaborador, com a promessa de que não seria identificado.

Ele ainda reforçou que a Lipari Mineração está há seis meses sem recolher o FGTS – o que é obrigatório segundo as leis trabalhistas -. Como o grupo demitiu os funcionários, os 40% de rescisão também não foram depositados.
“Não chegam a falar o motivo da desativação da mina. O processo do minério era complicado e, segundo o que soubemos, não estava valendo a pena a empresa explorar. Uma terceirizada chegou a assumir a mineração, mas tudo parou de vez”, afirmou o colaborador.
A reportagem também apurou que a multinacional deve impostos e outros encargos à Prefeitura de Nordestina, e que não teriam procurado a administração para quitar essas questões.
MERCADO DESAQUECIDO
Por meio de nota divulgada em inglês no final de janeiro, a Lipari Mineração confirmou que estava suspendendo as operações da Mina Braúna, em Nordestina, por conta da “fragilidade do mercado global de diamantes naturais e à menor recuperação de diamantes”.
“A alta administração está trabalhando com seus funcionários, partes interessadas e a comunidade local para garantir que a suspensão das operações seja conduzida de maneira a minimizar o impacto sobre nossos funcionários, suas famílias e a comunidade local, e que esteja em total conformidade com todas as regulamentações aplicáveis”, ponderou a empresa, ainda no comunicado à imprensa.
Segundo o Região em Pauta tentou contato com a Lipari para tentar explicações sobre a falta de pagamento aos funcionários, mas o telefone disponibilizado no site do grupo, com DDD de Salvador, está bloqueado.
PROBLEMAS ESTRUTURAIS
Também em janeiro, a Lipari demitiu Geovani Mariz do cargo de diretor financeiro e secretário corporativo. Para o lugar dele, foi contratado Diego Nascimento que tem mais de 16 anos de experiência em relatórios financeiros, controles internos, gestão de riscos e mercados de capitais no Brasil, na América do Norte e em jurisdições internacionais.
Presidente da Lipari, Ken Johnson chegou a afirmar: “Continuamos comprometidos com nossa mina, nossos funcionários e a comunidade local. Monitoraremos de perto o mercado global de diamantes e trabalharemos em medidas de otimização que possam nos permitir retomar as operações no futuro”.
Mas não é o que parece. Imagens mostram o maquinário da Braúna parado em Nordestina. Funcionários acreditam que eles podem ir à leilão.




