Quase dois anos após a primeira reportagem publicada pelo Calila Notícias, a situação da ex-atleta de karatê de Conceição do Coité, tri-campeã da modalidade, se agravou ainda mais. A mulher voltou a procurar a redação relatando que seu estado de saúde piorou e que novos desdobramentos envolvendo sua relação de trabalho ampliaram as dificuldades que já enfrentava.
Na reportagem publicada em junho de 2024, a atleta contou que lutava para voltar a andar após sofrer um acidente quando ainda trabalhava em uma empresa da região. Na época, ela também havia recorrido à Justiça em busca do reconhecimento de direitos trabalhistas.

Segundo a atleta, o processo judicial citado na primeira matéria teve um desfecho desfavorável. De acordo com ela, a assessoria jurídica da empresa conseguiu reverter a situação e o caso foi encerrado definitivamente, sem possibilidade de recurso por parte dela.
Desde então, o quadro de saúde também se agravou. A atleta afirma ter sido diagnosticada com a rara Doença de Behçet, enfermidade inflamatória crônica que pode provocar lesões dolorosas na pele e nas mucosas, além de outros sintomas. Ela relata que precisa permanecer em ambientes ventilados e que não consegue se expor ao calor. A doença não tem cura.
“Eu fico praticamente trancada em um espaço que tenha ventilação. Essa doença não tem cura. Não posso sequer passar próximo a um fogão, porque minhas artérias se rompem e meu corpo enche de bolhas de segundo grau”, relatou.
De acordo com a atleta, recentemente ela foi convocada pela empresa para comparecer ao local de trabalho no prazo de 72 horas. Sem condições de cumprir a determinação por causa do estado de saúde, afirma que acabou sendo demitida por justa causa.
“Tenho atestados antigos, vários relatórios médicos de diferentes especialidades, todos atualizados. Mesmo assim a empresa me demitiu. Eu não tenho condições de trabalhar dessa forma”, disse.

Ela conta que, ao receber a notícia da demissão, passou mal. “Quando soube dessa demissão, tive dois desmaios. Eu não acreditei, porque tenho todos os atestados e laudos médicos”, afirmou.
A atleta também relata que recebeu uma carta de rescisão com valor aproximado de R$ 2 mil, após cerca de seis anos de vínculo com a empresa, situação que considera injusta diante das circunstâncias.
Além das dificuldades trabalhistas, a situação financeira da família se tornou mais delicada. Segundo ela, o benefício do Instituto Nacional do Seguro Social foi cessado e o caso também está sendo discutido na Justiça. Atualmente, afirma que o marido tem arcado sozinho com as despesas da casa.
“Meu marido está sustentando tudo sozinho. Pagamos R$ 450 de aluguel e cerca de R$ 312 de energia, porque os ventiladores ficam ligados o tempo todo por causa da minha condição”, relatou.

Ela afirma ainda que realiza acompanhamento psicológico e psiquiátrico para lidar com as consequências emocionais da doença e das dificuldades enfrentadas. “Eu era atleta, tinha uma vida saudável, não sentia nenhuma dor de cabeça. Hoje eu vivo um luto da minha vida passada”, disse.
Diante da situação, a ex-atleta afirma que espera que seu caso ganhe visibilidade e que as circunstâncias que levaram à sua demissão sejam analisadas de forma justa.
A reportagem do Calila Notícias deixa o espaço aberto para manifestação da empresa citada pela atleta [não revelou o nome], caso queira apresentar sua versão sobre o caso.
Obs: Edna encamonhou algumas fotos do seu estado de saúda por conta da Behçet, mas optamos por mostrar apenas a do destaque que não aparecem as lesões. As demais foram usadas na primeira matéria.



