A agenda do governador Jerônimo Rodrigues na manhã desta sexta-feira (20), em Conceição do Coité, foi marcada não apenas pela autorização de importantes obras para o município, mas também por ausências que chamaram a atenção no meio político local: nenhum integrante do Governo e do grupo ligado ao prefeito Marcelo Araújo (União Brasil) esteve presente no ato, algo pouco comum nas visitas do governador.

Também não compareceu o deputado estadual Luciano Araújo (Solidariedade), eleito em 2018 pela base da oposição, mas não demorou muito para aderir a base de apoio ao governador na Assembleia Legislativa da Bahia. O parlamentar inclusive participou do ato de assinatura para licitar esta mesma obra em novembro do ano passado em Juazeirinho, na ocasião várias figuras ligadas ao Governo Marcelo Araújo também fizeram parte do planque, dentre elas, Marquinhos de Renato, vice-prefeito, que até discursou no palanque montado na Praça Porcina Rosa.
Quanto a Luciano Araújo deve estar vivendo um verdadeiro dilema de não poder agradar a dois senhores. Seu mandato ele proprio reconhece que vem acontecendo graças aos votos do grupo politico do prefeito Marcelo que representou algo em torno de 40%, e muito provavelmente não quer correr esse risco.

Luciano Araújo inclusive apareceu em uma reportagem ao lado do deputado Marcinho Oliveira que assumiu a presidência do PRD e na oportunidade eles disseram que ainda não sabem quem apoiar para o Governo da Bahia neste ano.
Marcinho Oliveira chegou em Coité nesta manhã depois do ato de assinatura e só teve tempo de cumprimentar o governador enquanto se dirigia para o carro.

Apesar da relevância das intervenções anunciadas, não compareceram ao ato o prefeito, o vice-prefeito, nem vereadores da base do governo municipal. A ausência coletiva gerou comentários entre lideranças políticas e populares presentes.
Jerônimo diz que ato seria simples, destaca ausência do grupo do prefeito, afirma estar “com seu time” e recebe apoio de prefeitos que sinalizam alinhamento para próxima eleição
Durante o evento, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que imaginava uma agenda mais simples, já que o ato tinha como objetivo apenas tornar pública a assinatura da ordem de serviço das obras. Ao comentar a ausência de representantes do grupo político do prefeito Marcelo Araújo, o chefe do Executivo estadual ressaltou que estava no município “a serviço do povo” e destacou que, mesmo com ausências, ali estavam “os que acreditam no projeto”.

No mesmo ato, os prefeitos Ubaldino Amaral, de Valente, e Arismário Barbosa, de Santaluz, ambos do Avante, que na eleição passada não estiveram ao lado de Jerônimo Rodrigues, marcaram presença e declararam que, na próxima eleição, caminharão junto ao governador, sinalizando uma reconfiguração no cenário político regional.
Prefeito já havia se ausentado em agenda anterior com o governador
Esta não foi a primeira vez que o prefeito Marcelo Araújo (União Brasil) esteve ausente em compromissos oficiais com o governador no município. Em ocasião anterior, quando Jerônimo Rodrigues esteve em Coité para autorizar a licitação das obras, o gestor municipal também não compareceu, sendo representado pelo vice-prefeito.
Desta vez, no entanto, a ausência foi ainda mais ampla, atingindo todo o grupo político ligado à gestão municipal.
Ausência de vereador com base em Juazeirinho também chamou a atenção
Entre os nomes que tiveram ausência notada, está o vereador Lindo de Neusa (Solidariedade), vice-presidente da Câmara Municipal e que tem como principal base política o distrito Juazeirinho — uma das localidades contempladas com as obras anunciadas.
O parlamentar esteve presente em agendas anteriores com o governador, tanto no distrito, durante o anúncio da autorização da licitação, quanto em ato realizado na Praça do Fórum, em Coité no mesmo dia.
A ausência do vereador ganha ainda mais repercussão diante de um posicionamento recente. No mês de fevereiro, durante sessão na Câmara Municipal, Lindo de Neusa fez duras críticas ao governador Jerônimo Rodrigues, chegando a classificá-lo como “enrolão” e cobrando maior agilidade na execução de obras prometidas para o município, especialmente em sua base eleitoral. Veja:
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O que foi relatado pelo vereador foi correto, mas houve, talvez um mal entendido da oarte dele. O governador Jerônimo na ocasião falou em público como iria ser o passo a passo a partir daquele momento de assinatura para abertura de licitação.
Disse que o próximo passo seria a entrega dos envelopes das empresas concorrentes com as propostas e que seriam abertos no dia 19 de dezembro, às 9h, na sede da Seinfra, em Salvador, ou seja, aproximadamente 40 dias depois.
O governador explicou também que, caso o processo transcorresse sem recursos ou impugnações, a homologação da empresa vencedora deveria ocorrer até o dia 15 de janeiro de 2026, porém, isto só aconteceu no dia 7 de fevereiro (23 dias de atraso) e o prazo de execução da obra será de oito meses, contados a partir da assinatura da ordem de serviço que aconteceu nesta sexta-feira, 20. Assim sendo, a critica do vereador é justa em relação aos 23 dias de atraso nos tramites burocráticos, mas em relação a obra não tem fundamento.

Menos de um mês depois, com a formalização das obras por meio da assinatura da ordem de serviço, o parlamentar não esteve presente no ato institucional.
Para muitos, a ausência de representantes municipais em um momento considerado importante para o desenvolvimento da cidade levanta dúvidas sobre o alinhamento institucional e o compromisso com pautas de interesse coletivo.
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