Um homem identificado apenas como Dário, suspeito de abusar de uma criança de dois anos e onze meses, foi morto após um violento linchamento na noite de terça-feira (24), no bairro Muchila, em Feira de Santana. O corpo foi encontrado com sinais de crueldade extrema, cercado por pedaços de madeira e objetos utilizados no ataque.
A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios (DH), confirmou que o crime contra a menor já estava sob investigação rigorosa. De acordo com o delegado Gustavo Coutinho, em entrevista à Rádio Subaé, a materialidade do crime era sólida: imagens de uma mercearia registraram a ação do suspeito no último sábado e laudos médicos confirmaram o toque indevido, embora não tenha ocorrido penetração.
Ainda de acordo com a autoridade policial, o suspeito já estava sendo monitorado e sua prisão era considerada iminente. “Dário realmente praticou o ato contra a criança; ele foi identificado claramente pelas imagens”, afirmou o delegado, reforçando que a punição legal era apenas uma questão de tempo.

Do justiçamento ao crime de homicídio
Embora a revolta popular tenha sido motivada por um crime repugnante, a ação da multidão atropelou o processo jurídico, gerando novos delitos que agora serão alvo de inquérito. O delegado Coutinho foi categórico ao separar o sentimento de indignação da legalidade:
“A gente não pode substituir a justiça pela tortura, a justiça pela barbárie. Não existe justiça com as próprias mãos. É compreensível a revolta de um pai e de uma mãe, mas o Estado não admite a vingança.”
O delegado destacou que o suspeito deveria ter sido entregue às autoridades para responder pelo crime no sistema prisional, onde a lei prevê penas severas para casos de estupro de vulnerável.
Riscos à coletividade e identificação dos autores
Um dos pontos mais críticos levantados pela autoridade policial é o risco do “efeito manada”. Em casos de linchamento, há uma alta probabilidade de erro sobre a identidade do suspeito, o que pode levar à morte de inocentes.
Agora, a Delegacia de Homicídios trabalha na identificação de quem participou do espancamento. Aqueles que utilizaram pedaços de madeira e armas brancas para torturar e matar o suspeito serão investigados por homicídio.
“Cabe a nós investigar todos os fatos por obrigação. A Justiça vai decidir o que fazer com os responsáveis pelo linchamento”, concluiu Coutinho. O posicionamento do Estado é claro: a indignação é legítima diante da violência contra crianças, mas a barbárie coletiva é crime e não será tolerada.
Fonte: Blog Central de Polícia, com informações Denivaldo Costa (Rádio Subaé)




