A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizou, na manhã desta sexta-feira (17), uma Sessão Especial em memória dos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, que resultou na morte de 21 trabalhadores rurais e se tornou um dos episódios mais marcantes da luta pela terra no Brasil. A iniciativa foi proposta pela deputada estadual Fátima Nunes (PT-BA), 1ª vice-presidente da Casa.
O evento reuniu centenas de pessoas, entre homens, mulheres, jovens, crianças e idosos, que marcharam de forma pacífica até o Legislativo baiano para participar da atividade. A mobilização reafirmou o compromisso com a memória, a justiça e a defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.
Um dos momentos mais marcantes da sessão foi a realização de uma mística conduzida pelos participantes, com poema, música, apresentações simbólicas e o hino do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. A encenação trouxe forte carga emocional e política, resgatando a dor e a resistência que marcam a luta pela terra no país.

Durante o ato, os participantes representaram, de forma simbólica, a violência do massacre por meio de cruzes, caixões de isopor, fotografias, “corpos” estendidos no chão e 21 pares de sapatos, em memória dos trabalhadores que perderam a vida há três décadas. A cena impactou não apenas quem esteve no plenário, mas quem adentrou à Alba, reforçando a importância de manter viva a memória daqueles que tombaram na luta por dignidade.

Durante a sessão, a proponente destacou a necessidade de lembrar e transformar a memória em ação concreta: “Foram 21 companheiros assassinados. É preciso lembrar cada uma dessas vidas, honrar suas histórias e manter viva a memória desse episódio que marcou profundamente a luta pela terra no Brasil. Lembrar é um ato de compromisso. É transformar a dor em resistência e seguir na luta pelo direito à terra e pela reforma agrária”, declarou Fátima Nunes.

A mesa da sessão foi composta por importantes autoridades e representantes de instituições públicas e movimentos sociais. Estiveram presentes a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Fabya Reis, representando o governador Jerônimo Rodrigues; os deputados federais Valmir Assunção e Lídice da Mata; a vice-reitora da Universidade do Estado da Bahia, Dayse Lago; o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas; Carlos Borges, representando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA); Evanildo Costa, representando o MST; Poliana Reis (representando a secretária de Educação); Tássio Brito, presidente estadual do Partido dos Trabalhadores; Otávio da Silva, da Superintendência do Patrimônio da União; Jeandro Ribeiro, da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional; o professor Marinho Soares; e José Ubiratan, diretor de Desenvolvimento Sustentável do Incra.
A sessão contou ainda com a presença da deputada estadual Olívia Santana e do ex-deputado Marcelino Galo, que também reforçaram a importância da memória e da luta pela terra como pauta central para a construção de um país mais justo.

Ao longo dos pronunciamentos, foi reforçado que o Massacre de Eldorado dos Carajás não foi um caso isolado, mas reflexo de um modelo concentrador de terras que ainda persiste no Brasil. A reforma agrária foi apontada como caminho fundamental para garantir justiça social, geração de renda e desenvolvimento sustentável no campo.
A Sessão Especial também reafirmou a atualidade da luta pela terra e a importância da agricultura familiar para a produção de alimentos e o fortalecimento da economia. Mesmo após três décadas, os desafios permanecem e exigem atenção contínua do poder público e da sociedade.
O ato foi marcado pela emoção e pelo compromisso coletivo de transformar a dor em resistência. Honrar a memória dos 21 trabalhadores assassinados é manter viva a luta por direitos, por respeito e por um país mais justo, onde o direito à terra seja assegurado a todos e todas.
CN | Fonte: Ascom deputada estadual Fátima Nunes (PT-BA), 1ª vice-presidente da Alba



