O vereador Urbano Carvalho Oliveira, conhecido popularmente como Urbano do Sindicato (PT), já decidiu que cumprirá apenas o mandato atual na Câmara Municipal de Conceição do Coité e não será candidato à reeleição em 2028.
Eleito nas eleições municipais de 2024 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Urbano afirmou que a experiência parlamentar trouxe também frustração e decepção com a forma como a política é praticada dentro do Legislativo municipal. Segundo ele, a dinâmica interna da Câmara, o funcionamento do mandato e a própria lógica institucional não corresponderam às expectativas que tinha ao assumir a função.
Apesar da decisão de não disputar um novo mandato, Urbano deixou claro que não abandona a política nem a militância social. A opção é de não colocar mais seu nome em disputa, mas seguir atuando na defesa das causas históricas que sempre representou, especialmente ligadas à agricultura familiar e aos trabalhadores do campo.
Trajetória sindical e política

Urbano Carvalho Oliveira tem 65 anos e construiu sua vida pública a partir do movimento sindical rural. Ele é uma das principais lideranças ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar de Conceição do Coité (SINTRAF), onde ganhou projeção regional.
Reconhecido pela forte identidade com o sindicalismo, tornou-se amplamente conhecido como “Urbano do Sindicato”, nome que o acompanhou também na disputa eleitoral. Em 2024, concorreu ao cargo de vereador pelo PT, integrando a Federação Brasil da Esperança, sendo eleito para seu primeiro mandato no Legislativo municipal.
Dentro do PT, a candidata mais votada foi Marli, com 1.096 votos. Urbano ficou na segunda posição entre os eleitos do partido, com 1.011 votos. Ao todo, o PT elegeu três vereadores para a Câmara Municipal, e Urbano integrou esse grupo como o segundo mais votado da legenda.
Para ele, a escolha está feita: cumprir o mandato até o fim, honrar os votos recebidos e seguir na luta — sem voltar às urnas.

Conversas de bastidores
Grupos ligados à política de Conceição do Coité avaliam que uma posição interna do PT não teria agradado ao vereador Urbano do Sindicato, especialmente a partir do momento em que se consolidou a leitura de que nenhum dos nomes colocados para a disputa interna do partido teria força política e discurso suficiente para enfrentar, com denúncias e provocações, o grupo da situação, liderado pelo prefeito Marcelo Araújo, do União Brasil.
Nos bastidores, esse cenário teria pesado na decisão da vereadora Marli (PT) de pedir afastamento por 120 dias do mandato para atuar na SERIN, na Casa Civil do Governo do Estado. A expectativa dentro do partido era de que, com o afastamento, Danilo Ramos — visto por setores do PT como o nome com melhor desempenho de discurso e embate político — pudesse assumir uma cadeira na Câmara Municipal.
No entanto, uma mudança recente na legislação impediu a movimentação. Com isso, o PT passou a contar temporariamente com apenas dois vereadores em exercício, enquanto aguarda a definição de Marli: se retorna ao mandato ou se opta pela renúncia, abrindo espaço definitivo para Danilo Ramos assumir.
O impasse segue aberto e continua alimentando conversas e ruídos dentro da própria bancada petista, em um momento em que o partido tenta reorganizar sua atuação no Legislativo municipal.



