Um caso ocorrido no município de Ibititá, na região de Irecê, no centro norte da Bahia ganhou notoriedade em todo o país ao envolver um ato extremo motivado por denúncias de violência doméstica. O agricultor Luiz Carlos da Silva, foi acusado de aplicar cerca de 80 chibatadas no próprio genro, após descobrir que sua filha vinha sendo agredida dentro de casa.
O episódio, que aconteceu por volta do natal de 2015, só foi concluído judicialmente cerca de 10 anos depois, quando o réu foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, em 14 novembro de 2025 na cidade de Irecê.

Nos últimos dias este assunto foi reaceso, e ganhou repercussão muito maior que o dia das agressões e do próprio julgamento quando o réu foi absolvido por unanimidade.
O Calila Noticias tentou levantar o que motivou tamanha repercussão e ouviu que os casos recentes sobre violência doméstica, publicações de vídeos em redes sociais, gerou um “delay”, mas que veio à tona de forma inesperada.
Descoberta das agressões
Segundo os autos do processo, a família começou a desconfiar das agressões após mudanças no comportamento da filha de Seu Luiz. Ela passou a usar roupas longas com frequência, mesmo em períodos de forte calor no sertão, o que levantou suspeitas.
A confirmação veio após relatos dentro da própria família, indicando que o marido vinha praticando agressões físicas recorrentes, com marcas pelo corpo.
O dia do confronto
Ainda conforme o processo, ao tomar conhecimento da situação, Seu Luiz decidiu confrontar o genro. Durante a discussão, o homem teria admitido as agressões.
Tomado pela revolta, o agricultor reagiu de forma violenta. Amarrou o genro e utilizou um objeto semelhante a chicote e desferiu aproximadamente 80 chibatadas.
Há também registros de que uma faca foi utilizada durante o episódio, chegando a quebrar.
O genro sobreviveu, mas o caso foi enquadrado inicialmente como tentativa de homicídio, o que levou à abertura de ação penal.
Tramitação do processo
O caso seguiu na Justiça por quase uma década. Durante esse período. Foram colhidos depoimentos de testemunhas, analisados laudos médicos e reconstruída a dinâmica do ocorrido. Ao final, o processo foi submetido ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
O julgamento e a absolvição

O julgamento ocorreu em 2023, quando os jurados analisaram não apenas os fatos, mas também o contexto em que ocorreram. Por decisão unânime dos sete jurados, Seu Luiz foi absolvido.
Os jurados entenderam que: não ficou comprovada a intenção de matar, o ato ocorreu sob forte abalo emocional e houve motivação ligada à proteção da filha vítima de violência.
Pontos marcantes do depoimento de Seu Luiz
Durante o julgamento, alguns trechos do depoimento chamaram atenção e tiveram peso emocional junto ao júri:
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Ele afirmou que agiu como pai, ao ver a filha sofrer agressões constantes
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Disse que queria que o genro “sentisse a dor que ela sentiu”
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Relatou indignação ao ouvir a confirmação das agressões
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Demonstrou arrependimento pela forma como reagiu, mas não pela motivação
A defesa explorou a imagem de um pai desesperado diante da violência sofrida pela filha, o que contribuiu para sensibilizar os jurados.
Repercussão
O caso gerou ampla discussão pública e dividiu opiniões: Parte da população considerou o ato uma reação compreensível diante da violência doméstica. Outros criticaram, destacando que justiça não pode ser feita com as próprias mãos.
Um caso que virou símbolo de debate
Mesmo com a absolvição, o episódio segue sendo citado como exemplo de situações em que o Tribunal do Júri leva em conta não apenas a lei, mas também aspectos humanos, emocionais e sociais. A história de Seu Luiz evidencia o choque entre dois temas delicados: o combate à violência doméstica e os limites da reação individual diante da dor e da injustiça.
Video do dia do julgamento




