No Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, especialistas alertam para o avanço silencioso das doenças renais e para a importância do diagnóstico precoce. No Brasil, milhões de pessoas convivem com algum grau de comprometimento da função dos rins — muitas vezes sem saber — o que pode levar a complicações graves, como necessidade de diálise ou transplante.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 10% da população mundial apresenta algum tipo de doença renal crônica. No Brasil, estima-se que mais de 170 mil pacientes dependam de diálise, segundo o Censo Brasileiro de Diálise. Entre os principais fatores de risco estão hipertensão arterial, diabetes, obesidade, histórico familiar e envelhecimento da população.
Doenças que afetam os rins – Segundo o nefrologista Túlio Coelho Carvalho, coordenador da Nefrologia do Hospital Mater Dei EMEC (HMDE), em Feira de Santana, as enfermidades renais podem ser classificadas, principalmente, em doença renal crônica (DRC) e insuficiência renal aguda. “A forma crônica se desenvolve lentamente, com perda progressiva da função dos rins ao longo dos anos. Já a insuficiência renal aguda pode surgir de forma repentina, geralmente associada a infecções graves, desidratação, uso inadequado de medicamentos ou complicações hospitalares”, explica.

Além dessas condições, outras doenças frequentemente comprometem os rins, como cálculos renais (pedra nos rins), infecções urinárias recorrentes, glomerulonefrites e distúrbios eletrolíticos, que alteram níveis de substâncias importantes no organismo, como sódio e potássio. “O diagnóstico precoce é fundamental porque muitas doenças renais evoluem de forma silenciosa. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes o comprometimento da função renal já é significativo”, explica Túlio Coelho.
Prevenção e diagnóstico – Ainda segundo o especialista, a prevenção começa com cuidados simples. Controlar a pressão arterial e o diabetes, manter alimentação equilibrada, evitar excesso de sal e de medicamentos sem orientação médica e manter boa hidratação são medidas importantes para proteger os rins.
Exames laboratoriais simples, como dosagem de creatinina no sangue e análise de urina, ajudam a identificar alterações precoces. “Muitas vezes, um exame de rotina já consegue indicar se há algum comprometimento da função renal. Isso permite iniciar o tratamento antes que o problema evolua”, afirma o nefrologista.
Tratamento e hemodiálise – Quando a função dos rins é gravemente comprometida, o paciente pode precisar de terapia renal substitutiva, que inclui hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal. A hemodiálise filtra o sangue por meio de equipamentos que substituem temporariamente o trabalho dos rins.
Na Bahia, hospitais de maior complexidade têm ampliado a assistência a esses pacientes, especialmente fora da capital. A descentralização do atendimento tem permitido que pessoas do interior tenham acesso a terapias renais avançadas sem precisar se deslocar até Salvador.
Referência – Em Feira de Santana, por exemplo, o Hospital Mater Dei EMEC recebe pessoas de diversos municípios da região. “O EMEC é hoje a principal referência do interior da Bahia para pacientes com complicações renais. Somos referência em hemodiálise convencional, terapias contínuas e transplante renal, além do tratamento de distúrbios do sódio e do potássio e da insuficiência renal aguda. O hospital também é atualmente o único hospital privado do interior da Bahia que realiza transplante renal”, afirma o nefrologista.
Segundo ele, o HMDE atende pacientes de cidades como Alagoinhas, Serrinha, Ribeira do Pombal e Euclides da Cunha, muitas vezes encaminhados após complicações durante sessões de diálise em suas cidades de origem. “Atualmente realizamos cerca de 75 sessões mensais de hemodiálise em pacientes internados e aproximadamente 35 sessões de terapias contínuas em pacientes graves na UTI, que podem durar entre 24 e 48 horas”, explica.
Transplante e qualidade de vida – Nos casos mais avançados de doença renal crônica, o transplante renal é considerado o tratamento que oferece maior qualidade de vida ao paciente. No Brasil, o procedimento é realizado principalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que mantém um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo.
O acesso ao transplante depende da disponibilidade de órgãos e do cadastro em listas de espera, o que reforça a importância da doação de órgãos. “A hemodiálise salva vidas, mas o transplante renal costuma oferecer melhores perspectivas de qualidade de vida a longo prazo. Por isso, é fundamental fortalecer a cultura da doação de órgãos e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce”, conclui Túlio Carvalho.
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Cinthya Brandão | Carla Santana



