O caso do suposto golpe milionário que teria causado prejuízos estimados em mais de R$ 65 milhões a moradores de Conceição do Coité e de outras cidades da região sisaleira teve novos desdobramentos na Justiça.
Conforme apuração recente da repórter Rafaela Rodrigues do Portal Raízes, 43 vítimas deverão ser ouvidas no próximo dia 4 de abril de 2026, durante audiência relacionada ao processo que investiga o caso. A oitiva faz parte da fase de instrução do processo, etapa em que são coletados depoimentos e outras provas para auxiliar na decisão judicial.
O principal investigado é W. C., de 43 anos, apontado por vítimas como responsável pela captação de recursos que teriam sido aplicados em supostos investimentos o caso ganhou grande repercussão em agosto de 2025. Dois meses após, em outubro de 2025, ele foi detido no município de Olhos d’Água das Flores, no estado de Alagoas, por agentes da 15ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin). Desde então, permanece preso no Presídio de Segurança Máxima de Serrinha.
Na época em que o caso veio a público, a reportagem entrou em contato com o investigado para questionar sobre a origem dos valores e a demora na devolução do dinheiro às supostas vítimas. Em resposta breve, ele declarou: “Não fugi e não roubei ninguém. Venho respondendo a todos os clientes.”
Relembre o caso
De acordo com relatos de pessoas que afirmam ter sido prejudicadas, o suposto golpe funcionava por meio da captação de dinheiro de moradores da região com a promessa de investimentos na Bolsa de Valores.
Segundo essas versões, o investigado recebia valores variados e prometia rendimentos mensais de cerca de 5%, o que teria atraído cada vez mais investidores. Durante um período, os pagamentos teriam sido feitos regularmente, aumentando a confiança e fazendo com que muitos aplicassem quantias maiores ou indicassem o investimento a amigos e familiares.
Entretanto, nos últimos meses antes da denúncia pública, os rendimentos deixaram de ser pagos e diversos investidores relataram dificuldades para recuperar o capital aplicado. Diante disso, surgiram suspeitas de que o sistema poderia funcionar como uma possível pirâmide financeira, em que recursos de novos participantes seriam utilizados para pagar lucros aos investidores mais antigos.
Próximos passos do processo
Segundo Rafaela Rodrigues, além das 43 pessoas já convocadas para audiência, o Ministério Público solicitou a adoção de medidas para intimar outras possíveis vítimas que ainda não foram localizadas, o que pode ampliar o número de pessoas que alegam prejuízo no caso.
Após a fase de depoimentos, caberá ao juiz da Vara Criminal, Gerivaldo Neiva, analisar as provas reunidas e decidir sobre o andamento do processo, que poderá resultar em absolvição ou condenação do acusado, caso fique comprovada a prática de crime.
Outros detalhes não podem ser divulgados porque o processo tramita em segredo de justiça.
O que diz a lei
O crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, ocorre quando alguém obtém vantagem ilícita ao induzir outra pessoa ao erro, geralmente por meio de fraude ou falsas promessas. A pena pode variar conforme as circunstâncias e o número de vítimas envolvidas no caso.



