Maria Madalena Oliveira Firmo, conhecida politicamente como Leninha Valente, afirmou que vai disputar uma vaga de deputada estadual nas eleições de outubro. Agricultora familiar e dirigente sindical, Leninha é atualmente presidente da CUT Bahia, cargo que ocupa pela segunda vez, e carrega uma trajetória marcada por enfrentamentos que vão além da política institucional.
Primeira mulher a chegar ao comando da central sindical no estado, Leninha relata que sua caminhada foi atravessada por preconceitos múltiplos. “Além da resistência por ser mulher, enfrentei ainda mais preconceito por ser uma mulher rural. Obviamente, aquilo me feriu de morte”, afirmou, ao relembrar o processo de construção de sua liderança dentro do movimento sindical.
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A fala de Leninha expõe uma realidade histórica do sindicalismo brasileiro. A participação das mulheres no movimento sindical, especialmente no meio rural, foi marcada por apagamento e invisibilização. Há poucos registros, pouca memória institucional e baixa valorização das pautas femininas, mesmo quando as mulheres sempre estiveram na linha de frente das lutas sociais.
Nesse cenário, a trajetória de Maria Madalena Oliveira Firmo ganha força simbólica. Em um ambiente historicamente masculino e urbano, uma mulher do campo rompeu barreiras e chegou ao posto mais alto da maior central sindical da Bahia. A força do seu relato dialoga com outra referência histórica do sindicalismo rural brasileiro: Margarida Maria Alves, uma das poucas mulheres cuja memória resistiu ao apagamento no movimento sindical nacional.
Natural de Valente, Leninha tem origem no movimento sindical rural, foi presidente de sindicato e construiu também trajetória política institucional. Ela foi vereadora no município de Valente por três mandatos consecutivos, eleita pela primeira vez em outubro de 2008, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mantendo atuação parlamentar por mais dois períodos.
À frente da CUT Bahia pela segunda vez, Leninha afirma que a decisão de disputar a eleição já está tomada e que a pré-campanha está em curso, com articulações e busca de apoios em diferentes regiões do estado. Para ela, a candidatura representa não apenas um projeto pessoal, mas também a possibilidade de levar para a Assembleia Legislativa a voz das mulheres, do campo e do sindicalismo.




